Os municípios do Estado do Rio de Janeiro receberam mais de R$ 8 bilhões em emendas parlamentares individuais e de bancada entre 2015 e julho de 2026. Os recursos, destinados por deputados federais e senadores, reforçaram investimentos em áreas como saúde, infraestrutura, assistência social, educação e aquisição de equipamentos públicos, ampliando o peso da atuação da bancada fluminense na distribuição de verbas para as prefeituras.
O levantamento mostra que, ao longo da última década, as emendas parlamentares passaram a ocupar um espaço cada vez maior nas receitas municipais. Se em 2015 os repasses somaram R$ 122,1 milhões, em 2025 o volume chegou a R$ 1,381 bilhão, representando um crescimento nominal de aproximadamente 1.030%. Na prática, o valor anual destinado às cidades ficou mais de 11 vezes maior em dez anos.
Nos primeiros anos da série histórica, entre 2015 e 2019, os pagamentos apresentaram forte oscilação, alternando períodos de crescimento e retração. A partir de 2020, os valores passaram a se manter em um patamar mais elevado, variando entre R$ 555 milhões e R$ 596 milhões por ano.
O salto mais expressivo, porém, ocorreu em 2023. Naquele ano, os repasses praticamente dobraram em relação ao período anterior e ultrapassaram a marca de R$ 1,1 bilhão. Desde então, os municípios fluminenses passaram a receber mais de R$ 1 bilhão por ano em emendas parlamentares.
Ano eleitoral registra aceleração dos pagamentos
Em 2026, o ritmo de liberação dos recursos aumentou significativamente. Apenas entre janeiro e julho, as prefeituras do estado receberam R$ 1,295 bilhão, valor equivalente a cerca de 94% de tudo o que foi transferido durante o ano inteiro de 2025.
Na comparação entre os sete primeiros meses de cada ano, a diferença é ainda mais expressiva. O montante pago em 2026 foi quase seis vezes superior ao registrado no mesmo período de 2025.
Os números indicam uma forte concentração da execução das emendas no primeiro semestre do ano eleitoral, período anterior às restrições impostas pela legislação eleitoral para determinadas despesas e inaugurações envolvendo recursos públicos.
Duque de Caxias lidera ranking; Meriti aparece em segundo
Entre os municípios fluminenses, Duque de Caxias aparece como o maior beneficiado no período analisado, acumulando R$ 664.845.165,34 em emendas parlamentares entre 2015 e julho de 2026.
Na segunda posição está São João de Meriti, que recebeu R$ 503.669.183,31, seguido pela capital Rio de Janeiro, com R$ 469.619.842,84. Na sequência aparecem Campos dos Goytacazes, com R$ 316.838.184,28, Belford Roxo, com R$ 268.740.192,52, e São Gonçalo, que acumulou R$ 255.351.736,73.
Também figuram entre os dez municípios que mais receberam recursos Itaboraí (R$ 213.231.329,17), Nova Iguaçu (R$ 202.119.633,14), Cabo Frio (R$ 179.421.761,37) e Mesquita (R$ 156.152.228,61).
Completam a lista dos 20 municípios mais contemplados Petrópolis (R$ 147.022.522,23), Magé (R$ 146.944.848,00), Nilópolis (R$ 146.345.407,48), Barra Mansa (R$ 137.682.244,97), Volta Redonda (R$ 136.152.695,39), Teresópolis (R$ 132.362.338,54), Miguel Pereira (R$ 129.523.938,38), Niterói (R$ 117.032.578,78), Bom Jesus do Itabapoana (R$ 108.706.378,24) e Tanguá, com R$ 107.433.438,65.
Os dados mostram que os maiores volumes de recursos se concentraram em municípios de grande porte e com forte representação política em Brasília, embora cidades de médio porte também apareçam entre as mais beneficiadas.
Emendas ampliam influência política nos municípios
Com o crescimento dos valores, deputados e senadores passaram a exercer influência cada vez maior sobre os investimentos realizados pelas administrações municipais. Além da atividade legislativa em Brasília, os parlamentares ganharam protagonismo na definição de quais cidades e projetos recebem recursos federais.
As emendas financiam desde obras de infraestrutura e pavimentação até investimentos em hospitais, unidades de saúde, escolas, equipamentos urbanos e programas sociais, tornando-se uma importante fonte complementar para os cofres municipais.
O levantamento também reforça o debate sobre a transparência e a fiscalização desses recursos. Nos últimos anos, o Supremo Tribunal Federal (STF) tem determinado maior rastreabilidade das emendas parlamentares, exigindo mecanismos que permitam identificar com clareza a origem, o destino e a execução das verbas públicas destinadas aos municípios.






