Previsão do tempo: Léo Vieira avisou sobre “Didê” dois anos antes da Operação Ouroboros, no Rio Metrópole

Dois anos antes de a Operação Ouroboros colocar no centro das investigações o presidente do Instituto Rio Metrópole (IRM), Davi Perini Vermelho, o Didê, um alerta já havia sido feito dentro da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Na época deputado estadual, Léo Vieira (Republicanos), hoje prefeito de São João de Meriti, utilizou a tribuna da CPI da Transparência para pedir que o governo estadual investigasse a atuação do dirigente da autarquia.

O pronunciamento ocorreu em 12 de setembro de 2024 e tinha como foco contratos firmados pelo Instituto Rio Metrópole. Durante a sessão, Léo Vieira afirmou que havia indícios de irregularidades envolvendo licitações e a gestão de recursos públicos, defendendo que Didê fosse convocado para prestar esclarecimentos à comissão parlamentar.

As declarações voltaram à tona após o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagrar, na última semana, a Operação Ouroboros, que apura um suposto esquema de fraudes em contratos estimados em R$ 86 milhões no âmbito do IRM. Didê está entre os presos na investigação.

Discurso apontava preocupação com contratos

Na ocasião, Léo Vieira criticou o crescimento dos contratos firmados pelo Instituto Rio Metrópole e afirmou que havia recebido informações sobre possíveis irregularidades na condução de licitações.

Em seu pronunciamento, o então deputado comparou a situação ao caso envolvendo o ex-secretário estadual Lucas Tristão, investigado durante a gestão do ex-governador Wilson Witzel, afirmando que o governo precisava agir antes que um novo escândalo fosse consolidado.

Segundo Vieira, o alerta também foi encaminhado a integrantes do primeiro escalão do Palácio Guanabara, entre eles os então secretários Rodrigo Abel, Nicola Miccione e André Moura, além do então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar.

Durante a sessão da CPI, o parlamentar pediu que o presidente do IRM fosse convocado para explicar contratos considerados por ele de alto valor, incluindo uma licitação voltada para sistemas de tecnologia.

Operação investiga organização criminosa

As suspeitas levantadas em 2024 passaram a integrar o cenário das investigações conduzidas pelo Ministério Público. A Operação Ouroboros aponta a existência de um suposto esquema de direcionamento de licitações, superfaturamento de contratos e desvio de recursos públicos dentro do Instituto Rio Metrópole.

De acordo com os investigadores, o grupo seria composto por servidores públicos, empresários e prestadores de serviço que atuariam em diferentes etapas das contratações.

Entre os alvos da operação está Caroline Soares Barros, ex-fiscal de contratos do IRM e presidente de uma organização social. Segundo o MPRJ, ela seria responsável pela movimentação financeira dos recursos desviados, realizando saques em dinheiro vivo.

Também foram presos Mauricio Silva Knoploch, ex-diretor de Planejamento do instituto, sua nora Amanda Íthala Santos da Paschoa, o delegado Franquis Dias Nepomuceno, diretor do IRM, e o procurador do Estado Marcelo Lopes da Silva, apontado pelos investigadores como responsável por emitir pareceres jurídicos relacionados aos contratos sob investigação.

Empresas contratadas pelo instituto também passaram a ser investigadas por suposta participação na estrutura financeira do esquema.

Caso reacende debate sobre fiscalização

A prisão de Didê reacendeu discussões sobre a fiscalização dos órgãos da administração pública estadual e o acompanhamento dos contratos firmados por autarquias.

As declarações feitas por Léo Vieira durante a CPI da Transparência ganharam nova repercussão após a operação do Ministério Público, já que o parlamentar defendia, desde 2024, o aprofundamento das investigações sobre a atuação do Instituto Rio Metrópole.

Agora, com o avanço das apurações, caberá à Justiça analisar as provas reunidas pelo Ministério Público e definir a responsabilidade dos investigados no suposto esquema de desvios de recursos públicos.

Veja a fala do ex-deputado e atual prefeito de São João de Meriti:

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