O ministro André Mendonça pediu ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, o afastamento do ministro Alexandre de Moraes. A iniciativa representa um novo capítulo do confronto entre integrantes da Corte.
A informação sobre o pedido foi divulgada pela jornalista Natuza Nery, da GloboNews. A movimentação ocorre após Moraes encaminhar a Fachin relatórios da Polícia Federal que, segundo o ministro, apontariam “fortes indícios” de irregularidades envolvendo Mendonça na condução das operações Sem Desconto e Compliance Zero.
Moraes também determinou o envio das informações à Procuradoria-Geral da República (PGR) e retirou o sigilo de documentos relacionados ao caso no âmbito do Inquérito 4.781, conhecido como inquérito das fake news.
O embate entre os ministros ganhou força depois que Mendonça tornou público material da Polícia Federal relacionado a mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a Alexandre de Moraes.
Entre os documentos mencionados está um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, ligado a Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.
Segundo informações atribuídas à investigação, metadados de uma minuta encontrada no celular de Vorcaro indicariam alterações no documento associadas a um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”. A existência desse registro, por si só, não comprova quem efetivamente realizou as modificações.
Mensagens de Vorcaro entram no centro da crise
O material atribuído à investigação da Polícia Federal também reúne mensagens enviadas por Vorcaro nos dias anteriores à prisão do banqueiro, ocorrida em novembro de 2025.
Em algumas delas, o empresário teria feito referências a Moraes, solicitado encontro e demonstrado agradecimento ao ministro e à família. Outros registros indicariam uma consulta sobre a possibilidade de deixar o país.
Há, no entanto, uma ressalva relevante: o conjunto de mensagens divulgado até agora apresenta comunicações enviadas por Vorcaro, mas não eventuais respostas de Alexandre de Moraes. Dessa forma, os registros conhecidos não permitem determinar, isoladamente, se houve resposta ou qual teria sido a reação do ministro.
Outro ponto citado no material envolve cartões de crédito do Banco Master emitidos para filhos de Moraes, com limites que chegariam a R$ 300 mil.
O escritório Barci de Moraes confirmou a emissão dos cartões, mas informou que eles não chegaram a ser utilizados.
A sequência de episódios elevou a tensão dentro do Supremo. Enquanto Mendonça tornou públicos documentos envolvendo Moraes e Vorcaro, Moraes encaminhou à presidência do STF informações que, em sua avaliação, levantariam suspeitas sobre a atuação de Mendonça em operações da Polícia Federal.
Com o pedido de afastamento de Alexandre de Moraes, Fachin passa a lidar diretamente com mais um desdobramento da crise entre os ministros da Corte.






