Lula avalia indicar Ricardo Couto ao STF em meio à crise entre ministros da Corte

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia indicar o governador interino do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). A possibilidade voltou a ganhar força no Palácio do Planalto diante da crise interna que envolve ministros da Corte.

A eventual escolha representaria uma mudança nos planos de Lula, que vinha defendendo uma nova indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, após a rejeição do nome dele pelo Senado.

Segundo informações divulgadas pela CNN e pela Folha de S.Paulo, Ricardo Couto já era considerado como alternativa havia cerca de dois meses. Com o agravamento das divergências no Supremo, porém, o nome do desembargador voltou a ser discutido por integrantes do governo.

Uma ala do Planalto considera que a indicação poderia funcionar como um gesto institucional em direção ao Judiciário. Couto seria visto por seus defensores como um nome capaz de contribuir para reduzir as tensões dentro do tribunal.

Possível indicação também mexeria com cenário do Rio

Além dos efeitos em Brasília, uma eventual ida de Ricardo Couto para o Supremo provocaria mudanças imediatas no governo fluminense.

Couto assumiu interinamente o Palácio Guanabara em março, após a saída de Cláudio Castro (PL). Desde então, promoveu exonerações e determinou revisões de contratos e de diferentes áreas da administração estadual.

O desembargador também ganhou projeção política durante o período no cargo. De acordo com a pesquisa Datafolha citada nas discussões sobre sua eventual indicação, 47% dos eleitores fluminenses aprovam sua administração, enquanto 31% a reprovam.

Lula já fez elogios públicos à gestão de Couto. Durante agenda em Bangu, na Zona Oeste do Rio, em agosto, o presidente afirmou que o governador interino estava realizando uma “limpeza” na administração estadual.

Caso seja escolhido para o Supremo, Couto ainda precisará passar por sabatina e votação no Senado. Somente depois de uma eventual aprovação e da posse no STF deixaria definitivamente o comando do Executivo fluminense.

Messias pode perder espaço

A escolha de Couto significaria, pelo menos neste momento, uma mudança de estratégia em relação a Jorge Messias.

Depois que a indicação do atual chefe da Advocacia-Geral da União foi rejeitada pelo Senado, Lula chegou a defender uma nova tentativa de levar seu aliado ao Supremo para ocupar a cadeira aberta com a saída de Luís Roberto Barroso.

Agora, integrantes do governo avaliam que insistir no nome de Messias em meio ao atual ambiente de tensão poderia aumentar as dificuldades políticas para o Planalto.

As discussões ocorrem enquanto o Supremo atravessa uma sequência de conflitos internos envolvendo diferentes ministros e investigações relacionadas ao Banco Master.

Comando da PF também entra nas discussões

A crise alcançou ainda o comando da Polícia Federal. Integrantes do governo discutem a permanência do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues.

Apesar da relação de confiança com Lula, há auxiliares do presidente que avaliam que os recentes confrontos envolvendo a PF e integrantes do Supremo desgastaram politicamente o diretor-geral.

As divergências incluem a condução de investigações relacionadas ao Banco Master e embates entre Polícia Federal, Advocacia-Geral da União e ministros do STF.

Com a proximidade das eleições e o aumento das tensões institucionais em Brasília, Lula passou a ser pressionado por aliados a participar mais diretamente da busca por uma solução para a crise.

Nesse cenário, Ricardo Couto surge como uma alternativa para a vaga no Supremo. A decisão, porém, ainda está em avaliação e não há, até o momento, anúncio oficial sobre uma eventual indicação.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Mais Matérias

Pesquisar...

Acessar o conteúdo