Colocaram um elefante na sala: Zé Augusto Nalin faz alerta urgente sobre a epidemia das BETs e os “tigrinhos”

Ex-deputado federal, que participou dos debates sobre a legalização de cassinos no passado, critica a falta de controle das plataformas de apostas online e aponta o impacto devastador nas famílias brasileiras

Por Redação | 24 de Julho de 2026

A explosão das plataformas de apostas online, conhecidas como BETs, e a popularização dos jogos de “tigrinho” nos celulares têm gerado um alerta vermelho na sociedade brasileira. Para o ex-deputado federal Zé Augusto Nalin, o fenômeno representa uma crise social sem precedentes, muito diferente do que se imaginava no passado sobre a regulamentação dos jogos de azar no país.

Nalin lembra que, quando esteve no Congresso Nacional, participou ativamente das discussões sobre a legalização dos cassinos. Na ocasião, seu posicionamento era favorável, mas com uma premissa clara e voltada para o modelo internacional. “Entendia que seriam empreendimentos físicos, altamente regulamentados, voltados ao turismo e, em grande parte, frequentados por um público de maior poder aquisitivo”, explica o ex-parlamentar. Segundo ele, o objetivo era gerar empregos, renda, desenvolvimento e arrecadação de impostos, seguindo o exemplo de destinos consolidados como Las Vegas, nos Estados Unidos.

No entanto, a realidade tomou um rumo distinto. Os cassinos físicos não vieram, mas as BETs dominaram o mercado de forma avassaladora.

“Hoje, qualquer pessoa, a qualquer hora e em qualquer lugar, tem acesso a jogos de aposta pelo celular. Não é mais preciso viajar ou entrar em um cassino. O jogo está dentro de casa, no bolso, ao alcance de um clique”, ressalta Zé Augusto Nalin.

O ex-deputado aponta que o principal argumento dos opositores dos cassinos no passado — o risco do vício e os prejuízos às famílias — materializou-se de forma amplificada nas telas dos smartphones. Trabalhadores, jovens e famílias inteiras, muitas vezes seduzidos pela promessa de um ganho fácil, estão caindo em um ciclo vicioso de perdas, endividamento e sofrimento.

Para ilustrar a gravidade e a desproporção da situação atual, Zé Augusto Nalin utiliza uma metáfora contundente: “É como a velha história do bode na sala. Tirou-se o problema que muitos imaginavam existir, mas surgiu outro ainda maior. Em vez do bode, colocaram um elefante dentro de uma sala de cristais”.

Diante do cenário caótico e da fragilidade das famílias brasileiras, o ex-deputado deixa uma reflexão que ecoa como um desafio direto às autoridades reguladoras do país:

“O que seria mais fácil de fiscalizar e controlar? Cassinos físicos, em locais específicos e sob fiscalização permanente, ou milhões de plataformas de apostas funcionando 24 horas por dia dentro dos celulares dos brasileiros?”, questiona Zé Augusto Nalin.

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