Coronel Lauro Botto recebe punição disciplinar de 15 dias de prisão administrativa no Corpo de Bombeiros

O coronel do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro, Lauro Botto, conhecido por sua atuação como uma das principais lideranças do movimento grevista da corporação em 2011, foi punido com 15 dias de prisão administrativa após a conclusão de um processo disciplinar interno.

A sanção passa a valer a partir desta quarta-feira (24) e foi aplicada após decisão da Corregedoria da corporação. De acordo com o documento oficial, Botto teria mantido, de forma recorrente, interações consideradas de caráter estritamente pessoal com militares mulheres por meio das redes sociais, sem relação com atividades profissionais.

Segundo a decisão, as condutas teriam violado princípios de discrição, hierarquia e disciplina exigidos dos integrantes da corporação, especialmente de oficiais em cargos de comando.

Lauro Botto contesta as acusações e afirma que o processo teve origem em denúncias de assédio moral e sexual apresentadas em outubro do ano passado, período em que também foi exonerado do cargo de subsecretário estadual de Defesa Civil.

Nas redes sociais, o coronel declarou que jamais praticou qualquer tipo de assédio e destacou que não manteve contato presencial ou individual com as pessoas que teriam apresentado as denúncias.

“Foi aberto um procedimento sob a alegação de que havia indícios de prática de assédio sexual ou moral com pessoas com quem eu sequer estive presente. Não tive contato pessoal, individual, com nenhuma dessas pessoas”, afirmou em vídeo divulgado em suas plataformas digitais.

Para Botto, o fato de a decisão final não mencionar assédio moral ou sexual seria um indicativo de que as acusações iniciais não foram comprovadas ao longo da investigação interna.

O Corpo de Bombeiros informou que todo o processo disciplinar transcorreu com garantia do contraditório e da ampla defesa. No entanto, a corporação concluiu que os argumentos apresentados pelo oficial não foram suficientes para afastar as irregularidades apontadas durante a apuração.

Figura conhecida no cenário político e militar do estado, Lauro Botto ganhou notoriedade ao liderar o movimento reivindicatório dos bombeiros em 2011, que resultou em uma greve histórica da categoria. Na ocasião, ele chegou a ser preso em razão da participação nos atos. Anos depois, disputou uma vaga para a Câmara dos Deputados nas eleições de 2022, mas não foi eleito.

A decisão administrativa ainda pode ser questionada pelos meios legais cabíveis.

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