Manoella Duarte, esposa de Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ), publicou um duro relato nesta semana após conseguir visitar o marido no sistema penitenciário federal. Bacellar está preso preventivamente desde março e virou réu no Supremo Tribunal Federal (STF) em agosto.
Segundo o desabafo, o encontro ocorreu após um intervalo de dois meses sem contato visual. Manoella afirmou ter visto marcas de algemas no corpo do político, além de um dedo do pé inflamado. Ela também relatou que o detento enfrenta dificuldades para tomar banho e dormir na cela.
De acordo com o depoimento divulgado, o ex-deputado usa um caneco para o banho, carece de ventilador e recorre a passar sabonete pelo corpo para evitar picadas de mosquitos. As denúncias sobre o cárcere partiram exclusivamente da defesa e da família, sem retorno imediato das autoridades penitenciárias a respeito desses pontos específicos.
A nota destaca ainda problemas com prescrições médicas, com restrições para a entrada de remédios, gerando temor na família quanto à saúde física e mental do preso. O texto aponta que o banho de sol não estaria sendo aproveitado devido à separação de horários entre facções e milícias, grupos aos quais Bacellar não possui ligação.
Manoella fez questão de ressaltar que a manifestação não tem a intenção de questionar o andamento do processo judicial ou o mérito das investigações conduzidas pelo STF. O foco do pronunciamento seria estritamente humanitário.
O pedido central direcionado às autoridades resume-se a suprimentos básicos e dignidade, exigindo acesso a água, ventilação adequada e assistência médica, sem requerer privilégios ou a liberdade imediata do investigado.
Rodrigo Bacellar está detido desde o dia 27 de março por ordem do ministro Alexandre de Moraes, no âmbito de apurações sobre obstrução de justiça e suposto vazamento de dados sigilosos ligados a esquemas criminosos fluminenses. Em agosto, a Primeira Turma do STF aceitou a denúncia da Procuradoria-Geral da República contra ele, o ex-deputado TH Joias e o desembargador Macário Júdice Neto, tornando-os réus, embora isso não signifique condenação.
Inicialmente alojado em Bangu 8, Bacellar foi transferido em julho para o sistema penitenciário federal, passando pela unidade em Brasília e, posteriormente, pela Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte. Anteriormente, em setembro, o vereador Marquinho Bacellar, irmão do político, já havia denunciado limitações severas nas visitas e no banho de sol.
Finalizando a nota pública, a esposa do ex-chefe da ALERJ reforçou o apelo para que ele receba tratamento humano, abdicando de qualquer discussão sobre o processo penal em curso.





