O volume de recursos retirados da caderneta de poupança voltou a superar o total de depósitos no Brasil durante o mês de agosto, resultando em uma saída líquida de R$ 10,5 bilhões, conforme dados revelados pelo Banco Central (BC).
Movimentações financeiras e acumulado do ano
Durante o período analisado, os correntistas depositaram R$ 357,7 bilhões, enquanto as retiradas alcançaram a marca de R$ 368,2 bilhões. As contas ainda receberam R$ 6,5 bilhões em rendimentos creditados, mantendo o montante total guardado na modalidade ligeiramente acima de R$ 1 trilhão.
Com esse resultado, o acumulado negativo nos primeiros oito meses chega a R$ 57,1 bilhões em saques líquidos. O comportamento repete uma tendência recente: em 2023, as retiradas somaram R$ 87,8 bilhões, enquanto 2024 registrou saldo negativo de R$ 15,5 bilhões, valor que saltou para R$ 85,6 bilhões no ano passado. Analisando o calendário atual, apenas o mês de maio apresentou saldo positivo de R$ 2,6 bilhões, com entradas superiores às saídas, configurando o terceiro mês consecutivo de descapitalização.
Impacto da taxa Selic e cenário macroeconômico
O principal motivo para a preferência por outras modalidades é a manutenção da taxa Selic em patamares elevados, o que torna investimentos alternativos mais atraentes. Fixada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), a taxa básica de juros atualmente está em 14% ao ano.
Entre junho de 2025 e março deste ano, o indicador atingiu 15% ao ano, patamar máximo em quase duas décadas. Embora o Copom tenha iniciado cortes em março devido ao recrudescimento da inflação, conflitos geopolíticos no Oriente Médio elevaram os custos de combustíveis e alimentos, travando novas reduções. A ferramenta é utilizada pelo BC para ancorar o IPCA — índice oficial de inflação — na meta de 3%, permitindo uma tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
Comportamento da inflação oficial
O IBGE apontou que, em julho, a queda nos preços dos alimentos ajudou a desacelerar a inflação oficial pela quarta vez consecutiva, fixando a taxa em 0,07%. Desse modo, o acumulado em 12 meses atingiu 4,44%, retornando oficialmente para a banda de tolerância estabelecida pelo governo. O próximo balanço oficial da inflação referente a agosto será publicado na sexta-feira (11).






