O deputado estadual Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo, e o delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil, foram presos pela Polícia Federal nesta quinta-feira (15), durante a oitava fase da Operação Unha e Carne. A investigação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo uma rede de postos de combustíveis no Grande Rio.
As prisões foram determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A operação dá continuidade às apurações que já haviam colocado Canella e Amim na mira da Polícia Federal em julho, quando os dois foram alvo de mandados de busca e apreensão na sexta fase da investigação.
Na ocasião, Canella ficou preso por quatro dias no presídio de Bangu 8 e foi solto em 11 de julho, por decisão de Moraes. Após deixar a unidade, ele passou a cumprir medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica e o recolhimento domiciliar durante a noite.
Investigação aponta movimentação de R$ 7,6 bilhões
Segundo a Polícia Federal, a rede de postos investigada teria movimentado R$ 7,6 bilhões em seis anos. Os investigadores apuram a suspeita de que o negócio tenha sido utilizado para lavar dinheiro de origem criminosa, com possível participação de agentes políticos.
Nesta quinta-feira, os policiais federais saíram para cumprir seis mandados de prisão e 16 de busca e apreensão em sete municípios fluminenses: Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, Niterói, São Gonçalo, Petrópolis, Angra dos Reis e Armação dos Búzios.
A Corregedoria da Polícia Civil acompanhou o cumprimento dos mandados relacionados aos policiais civis investigados.
Além das prisões e buscas, a Justiça determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas ligadas à rede investigada. De acordo com a PF, 96 delas são postos de combustíveis que teriam sido utilizados para ocultar e dar aparência legal a recursos de origem criminosa.
Investigação apura outros crimes
Os investigados podem responder por organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel. Outros crimes também poderão ser incluídos conforme o avanço das apurações.
Canella nega ser dono de fuzil
Durante o cumprimento dos mandados, a Polícia Federal informou ter encontrado um fuzil no porta-malas do veículo utilizado por Márcio Canella. Desde a prisão, o deputado sustenta que a arma não lhe pertence.
As suspeitas investigadas pela Polícia Federal ainda dependem da apuração dos fatos e da análise das provas. A prisão, por si só, não representa condenação dos investigados.






