O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) condenou a Prefeitura de Japeri a indenizar a jornalista Julie Alves em R$ 20 mil por danos morais após um episódio de racismo ocorrido durante uma reportagem realizada em 2020. A decisão também beneficiou o cinegrafista Vangelis Floyd Ferreira, que receberá R$ 15 mil.
O caso aconteceu em outubro daquele ano, quando a equipe de reportagem esteve em uma unidade de saúde no bairro Mucajá para apurar reclamações de moradores sobre problemas ambientais nas proximidades do local. Durante o trabalho, segundo a ação judicial, os profissionais foram hostilizados por um servidor público.
Julie afirmou que foi alvo de ofensas racistas e que sofreu agressão física. Conforme os autos, o então diretor da unidade de saúde, Clodoaldo Silva de Souza, teria atingido o braço da repórter, fazendo com que o microfone que ela utilizava caísse no chão. Já o cinegrafista relatou ter sido vítima de insultos de cunho gordofóbico.
Embora o pedido de indenização tenha sido rejeitado na primeira instância, a Quarta Câmara Cível do TJRJ reformou a sentença. Os desembargadores entenderam que as provas apresentadas no processo demonstraram a prática dos atos discriminatórios e reconheceram a responsabilidade civil do município pelos atos atribuídos ao servidor.
Após a decisão, Julie Alves afirmou que considera importante o reconhecimento da Justiça, mas destacou que a condenação não elimina os impactos causados pelo episódio. Segundo a jornalista, o combate ao racismo depende de mudanças permanentes na sociedade e de políticas efetivas de conscientização.
Ela também declarou que, após o ocorrido, não recebeu contato da administração municipal e defendeu que o caso poderia ter sido utilizado como oportunidade para promover ações educativas entre os servidores públicos. Julie acrescentou que uma eventual tentativa de reverter a condenação seria recebida com preocupação.
A reportagem produzida pela equipe tinha como objetivo verificar denúncias sobre um lixão localizado ao lado do posto de saúde do bairro Mucajá. De acordo com os relatos, durante a gravação, a jornalista e o cinegrafista passaram mal devido às condições do ambiente. Julie informou que apresentou alteração na pressão arterial, enquanto Vangelis, que é diabético e hipertenso, registrou um aumento significativo da glicemia.
Depois da ocorrência, os profissionais procuraram a 63ª Delegacia de Polícia, onde registraram um boletim de ocorrência. O servidor envolvido respondeu por acusações relacionadas à lesão corporal, ameaça e injúria motivada por preconceito.
Até a publicação da reportagem original que revelou a decisão, a Prefeitura de Japeri ainda não havia se pronunciado sobre o caso.






