Rodrigo Bacellar é levado à sede da PF e será transferido para presídio federal

O ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, foi conduzido na manhã desta quinta-feira (2) para a Superintendência da Polícia Federal, na capital fluminense, após ser preso na quinta fase da Operação Unha e Carne. Segundo informações confirmadas por fontes ligadas à investigação, ele será transferido ainda hoje para um presídio federal. Até o momento, o destino não foi divulgado.

Bacellar estava custodiado no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu 8, e é apontado pela Polícia Federal como um dos principais investigados no suposto esquema de vazamento de informações sigilosas sobre operações de combate ao Comando Vermelho.

Além dele, a operação cumpriu mandado de prisão preventiva contra o pastor Marcio Poncio, localizado em um apart-hotel na Barra da Tijuca, e contra o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho. Os agentes também realizaram busca e apreensão na residência do ex-deputado federal Marco Antônio Cabral (Solidariedade), filho do ex-governador Sérgio Cabral e pré-candidato a deputado estadual.

Em nota, a defesa de Marco Antônio Cabral informou que a diligência ocorreu de forma tranquila e com total colaboração às autoridades. A advogada Patrícia Proetti afirmou que seu cliente nega qualquer participação em organização criminosa, lavagem de dinheiro ou recebimento de recursos ilícitos, ressaltando que ele permanece à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos.

Operação mira suposta rede de vazamentos

Nesta quinta fase da Operação Unha e Carne, a Polícia Federal cumpriu três mandados de prisão preventiva e 14 mandados de busca e apreensão em endereços localizados no Rio de Janeiro e em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. As ordens judiciais foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que também determinou o bloqueio de bens e valores de até R$ 22 milhões.

As investigações avançaram após a apreensão de planilhas atribuídas a Adilsinho. Segundo a PF, os documentos apresentam registros de supostos pagamentos irregulares, doações eleitorais e movimentações financeiras que estariam relacionadas à lavagem de dinheiro. Os investigadores afirmam que as anotações indicam possíveis repasses de recursos a agentes políticos do estado.

Ainda de acordo com a Polícia Federal, Rodrigo Bacellar aparece identificado pelo codinome “Barba” em duas dessas planilhas. O inquérito busca esclarecer a atuação de uma suposta organização responsável por repassar informações sigilosas sobre operações policiais, o que teria comprometido ações de enfrentamento ao crime organizado.

Como começou a investigação

A Operação Unha e Carne foi deflagrada pela primeira vez em dezembro de 2025. Na ocasião, Rodrigo Bacellar passou a ser investigado sob suspeita de ter vazado informações relacionadas à Operação Zargun, que tinha como alvo integrantes do Comando Vermelho.

Conforme a Polícia Federal, o suposto vazamento teria beneficiado o ex-deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, apontado como articulador político da facção criminosa.

Na segunda fase da operação, também realizada em dezembro de 2025, foi preso preventivamente o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). A suspeita dos investigadores é de que as informações sigilosas tenham sido repassadas a partir do Judiciário antes de chegarem a Bacellar e, posteriormente, aos investigados ligados ao Comando Vermelho.

Já em março de 2026, durante a terceira etapa da operação, Rodrigo Bacellar voltou a ser preso após a cassação de seu mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o oferecimento de denúncia pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Segundo a Polícia Federal, foi a partir dessa fase que as investigações passaram a relacionar formalmente o suposto esquema à ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, sob o entendimento de que o vazamento de informações teria comprometido operações de segurança pública voltadas ao combate ao crime organizado no estado.

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