Jovem do PL ganhou espaço na direita pelas redes sociais e pela defesa de pautas conservadoras
A nova geração da direita ganhou uma representante que saiu do subúrbio do Rio de Janeiro e agora terá espaço em Brasília. Aos 24 anos, Júlia Castro (PL) ultrapassou os 100 mil votos e conquistou uma vaga no Congresso, consolidando uma trajetória política construída principalmente nas redes sociais e dentro da estrutura do partido.
Natural de uma família sem tradição política, Júlia cresceu em Coelho Neto, na Zona Norte do Rio. A rotina familiar esteve distante dos gabinetes e dos cargos públicos. O avô trabalhou como motorista de ônibus e a mãe atua como professora de educação infantil. A experiência com uma família de trabalhadores passou a ser usada pela jovem como parte da identidade de sua candidatura.
A política entrou cedo na vida de Júlia. Ainda adolescente, ela começou a se posicionar em discussões sobre assuntos que provocavam divergências dentro da escola. Oposição ao aborto e à legalização das drogas estavam entre as posições que já defendia naquele período.
O envolvimento político aumentou durante a eleição presidencial de 2018, quando, aos 15 anos, declarou apoio a Jair Bolsonaro. A partir daí, passou a atuar de maneira mais próxima do campo conservador e ganhou espaço entre os jovens ligados à direita.
Ascensão dentro do PL
A formação em História, concluída em uma universidade federal, não afastou Júlia da militância. Pelo contrário. A atuação política nas redes e dentro do partido fez com que ela assumisse a vice-presidência nacional do PL Jovem.
A exposição digital foi um dos principais instrumentos utilizados para ampliar sua presença junto ao eleitorado. Durante a campanha, Júlia dividiu espaço em eventos e publicações com nomes de grande alcance entre os eleitores conservadores, como Nikolas Ferreira e Eduarda Campopiano.
A aproximação com a família Bolsonaro também esteve presente na campanha. Registros ao lado de Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro ajudaram a reforçar a associação da candidatura ao grupo político que se tornou uma das principais referências da direita brasileira nos últimos anos.
Temas polêmicos no centro da campanha
Júlia construiu boa parte da comunicação eleitoral em torno de assuntos que costumam gerar forte disputa política. Aborto, drogas, feminismo e questões relacionadas a gênero foram usados para apresentar ao eleitor suas posições.
Na educação, a candidata passou a criticar o que define como doutrinação ideológica e defendeu maior participação dos pais na formação dos filhos. Também se posicionou contra o que chama de “ideologia de gênero” e a favor da defesa da vida desde a concepção.
A agenda apresentada, porém, não ficou restrita aos chamados temas de costumes. Segurança pública, economia, combate à corrupção e saneamento também apareceram entre as prioridades anunciadas durante a campanha.
Para a área de segurança, Júlia defendeu medidas de endurecimento das leis e mudanças em mecanismos considerados por ela facilitadores da impunidade. No campo econômico, o discurso foi voltado para menos impostos, redução da burocracia e maior liberdade para trabalhadores e empresas.
Um novo nome da direita fluminense
A votação obtida nas urnas encerra o primeiro capítulo da trajetória política de Júlia e abre uma nova etapa no Congresso. A chegada a Brasília acontece antes dos 25 anos e sem o apoio de uma estrutura familiar tradicional na política.
O resultado também mostra a força que candidatos jovens, com forte atuação digital e discurso conservador, vêm buscando dentro do eleitorado. No caso de Júlia, a combinação entre a história de vida no subúrbio, a militância no PL e a proximidade com nomes conhecidos da direita ajudou a construir uma candidatura que agora ganha projeção nacional.






