Polícia Civil e MPRJ descobrem esquema de lavagem de dinheiro com criptomoedas operado por facções no Rio

Uma investigação da Polícia Civil em conjunto com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) revelou um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro utilizado por organizações criminosas por meio da mineração clandestina de criptomoedas. A estrutura foi localizada em um galpão em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

No imóvel, os agentes encontraram mais de 100 computadores de alto desempenho, além de exaustores industriais utilizados para resfriar os equipamentos. De acordo com as investigações, toda a operação funcionava de forma remota, monitorada por câmeras, sem a necessidade da presença constante de operadores no local.

Segundo a Polícia Civil, a estrutura era utilizada para minerar criptomoedas, atividade que consiste na utilização de computadores para validar transações em redes blockchain. Como recompensa pelo processamento dessas operações, os responsáveis recebem frações de moedas digitais, como o bitcoin.

Para os investigadores, o uso de criptomoedas representa uma estratégia das facções para dificultar o rastreamento da origem e da movimentação dos recursos obtidos com atividades criminosas, tornando o processo de lavagem de dinheiro mais complexo.

As investigações também apontam que o funcionamento da chamada “fazenda de mineração” dependia de ligações clandestinas de energia elétrica. O uso dos chamados “gatos” permitia que os equipamentos permanecessem ligados 24 horas por dia, reduzindo custos operacionais e aumentando a rentabilidade da atividade ilegal.

Essa não é a primeira vez que autoridades identificam estruturas desse tipo no estado. Em operações anteriores, instalações semelhantes foram encontradas nos complexos da Maré e do Lins, em ações voltadas ao combate a integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP) e do Comando Vermelho (CV). Em todos os casos, os locais também utilizavam energia furtada da rede elétrica.

A Polícia Civil informou que as investigações continuam para identificar os responsáveis pela operação e aprofundar o rastreamento da movimentação financeira ligada ao esquema criminoso.

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