Mendonça vê omissões em delação de Vorcaro e pode rejeitar acordo no STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, sinalizou a interlocutores que não pretende homologar, nos termos atuais, a proposta de delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A avaliação é de que a colaboração apresentada até agora seria incompleta e marcada por omissões sobre possíveis conexões políticas.

Segundo informações divulgadas pela jornalista Mônica Bergamo, Mendonça entende que o conteúdo entregue pela defesa de Vorcaro não apresenta elementos considerados suficientes para validar juridicamente o acordo. Nos bastidores do STF, a percepção é de que o ex-banqueiro teria evitado aprofundar informações envolvendo aliados e agentes públicos.

Operação da PF fortalece investigações sem depender da delação

A operação da Polícia Federal realizada nesta quinta-feira (7), que teve como alvo o senador Ciro Nogueira, reforçou dentro da Corte o entendimento de que as investigações já possuem material robusto para avançar independentemente da colaboração premiada.

Na avaliação de Mendonça, os dados reunidos pela PF permitiriam aprofundar as apurações sobre suspeitas de favorecimento político ao empresário sem necessidade imediata da delação de Vorcaro. Com isso, o acordo poderia perder relevância no atual estágio das investigações.

Situação de Vorcaro pode se complicar

Caso o acordo não seja homologado, Daniel Vorcaro poderá permanecer preso por mais tempo. O ministro também analisa um pedido da Polícia Federal para transferir o empresário de volta ao Complexo da Papuda, em Brasília, onde as condições de custódia são mais rígidas do que as da Superintendência da PF.

Se houver rejeição formal da delação, a defesa ainda poderá recorrer à Segunda Turma do STF. Até o momento, porém, não existe prazo definido para a decisão final de Mendonça.

Relação com Alcolumbre teria frustrado expectativas

Entre os pontos considerados frágeis pela investigação está a falta de esclarecimentos sobre a relação entre Vorcaro e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Havia expectativa de que o ex-banqueiro apresentasse detalhes mais profundos sobre esse vínculo, o que, segundo relatos, não ocorreu.

Com o avanço das investigações por outros caminhos, cresce a avaliação dentro do STF de que a colaboração premiada poderá enfrentar dificuldades para prosperar nos moldes atuais.

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