A chegada de Douglas Ruas (PL) à presidência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro já começa cercada por fortes articulações internas. Nesta quarta-feira (22), o parlamentar comanda pela primeira vez uma sessão deliberativa no posto mais alto da Mesa Diretora, mas longe de um cenário de calmaria.
Mesmo com o feriadão prolongado e a possibilidade de baixa presença no plenário, os bastidores seguem intensos. O novo presidente terá pela frente uma das tarefas mais delicadas do início de gestão: administrar a pressão de deputados que exigem uma nova divisão das comissões permanentes da Casa.
Esses colegiados são considerados estratégicos dentro da Alerj, já que concentram debates importantes, poder de articulação e protagonismo político. A atual composição foi definida ainda durante a gestão de Rodrigo Bacellar (União), quando sua reeleição ocorreu de forma unânime, garantindo maior estabilidade nas negociações internas.
Com Douglas Ruas, no entanto, o cenário foi diferente. Sua eleição foi marcada por disputa acirrada, resistência de setores da oposição e tentativas de obstrução durante a votação. Agora, parlamentares que saíram fortalecidos desse processo querem mais espaço na estrutura de comando da Assembleia.
Um dos principais nomes nessa movimentação é o deputado Renan Jordy (PL), que recentemente deixou a suplência para assumir como titular. Integrante da maior bancada da Casa, ele busca o comando da Comissão de Cultura, atualmente presidida por Verônica Lima (PT), que participou ativamente da tentativa de barrar a eleição de Douglas.
Outro deputado que retornou fortalecido foi Anderson Moraes (PL), após passagem pela Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia. Ele mira a presidência da Comissão de Saneamento Ambiental, hoje ocupada por Jari (PSB), com Lucinha (PSD) na vice-presidência.
Nos corredores da Alerj, Anderson já demonstrou insatisfação com a atual condução da comissão. Durante a última reunião do colegiado, o parlamentar teria criticado a distribuição de material de divulgação do sindicato dos funcionários da Cedae dentro do espaço.
Além deles, outros ex-secretários estaduais também retornaram ao Legislativo dispostos a recuperar protagonismo. Entre eles estão Bruno Dauaire (União), Gustavo Tutuca (PP) e Jair Bittencourt (PL), que também articulam posições de maior influência.
Com isso, Douglas Ruas inicia sua gestão diante de um cenário desafiador: acomodar interesses, evitar desgastes internos e manter a base alinhada em um momento decisivo para o futuro político da Casa.






