A confusão envolvendo a linha 77 do novo Terminal BRT Metropolitano Pedro Fernandes, que faria a ligação entre o sistema BRT do Rio e a Baixada Fluminense, abriu um debate que vai além da mobilidade urbana. O episódio colocou em evidência uma disputa política entre a Prefeitura do Rio de Janeiro e o Departamento de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Detro) e levantou questionamentos sobre a competência administrativa no transporte intermunicipal.
Pela legislação brasileira, o transporte que liga dois municípios é de responsabilidade do governo estadual. No caso do estado do Rio de Janeiro, a gestão e autorização dessas linhas cabem ao Detro, órgão ligado ao governo estadual. Por isso, a criação de uma linha que sai da capital e chega a Mesquita, na Baixada Fluminense, gerou reação imediata do órgão.
A prefeitura defendeu a iniciativa afirmando que a nova linha poderia reduzir tempo de deslocamento e custo da passagem para quem mora na Baixada e precisa chegar ao Rio diariamente. Já o Detro argumenta que o serviço foi criado sem autorização estadual e, por isso, considera a operação irregular.
Disputa política em ano pré-eleitoral
O episódio acontece em um momento delicado do cenário político fluminense. O prefeito Eduardo Paes já anunciou que deixará o cargo na próxima sexta-feira (20) para se lançar como pré-candidato ao governo do estado.
Em publicação nas redes sociais, o próprio prefeito confirmou a decisão.
“Todo mundo já sabe que na próxima sexta-feira eu renuncio a honrosa função de prefeito do Rio para me lançar como pré-candidato ao governo do estado do Rio”, escreveu.
A movimentação política ocorre em meio ao rompimento do acordo informal de distensão entre Paes e o governador Cláudio Castro. Nos últimos meses, os dois mantinham uma espécie de trégua pública, evitando críticas diretas. Esse clima, no entanto, parece ter chegado ao fim com a prisão do vereador Salvino Oliveira (PSD) e a disputa em torno do BRT.
Nos bastidores da política, há quem interprete a criação da linha como uma tentativa de pressionar o governo estadual justamente em uma área sensível: o transporte intermunicipal da Baixada Fluminense, alvo frequente de críticas por parte da população.
Clima político também se acirrou na última semana
Na semana passada, o vereador Salvino Oliveira (PSD), ex-secretário municipal da Juventude, foi preso pela Polícia Civil por suspeita de ligação com o Comando Vermelho, a maior facção criminosa do estado.

A operação revelou tentativas de interferência política em áreas dominadas pelo tráfico, com o objetivo de transformar esses territórios em bases eleitorais. Segundo a investigação, o vereador Salvino teria negociado diretamente com o traficante Edgar Alves de Andrade, o “Doca”, autorização para realizar campanha eleitoral na comunidade da Gardênia Azul, área sob domínio do Comando Vermelho. deixou a Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, após decisão judicial que revogou sua prisão temporária em uma operação relacionada ao Comando Vermelho.
Depois de conseguir uma limitar, ao sair da prisão, o parlamentar afirmou ter sido alvo de injustiça e sugeriu motivação política nas investigações.
“Agora, não pense que vai ficar assim,” disse o vereador.
A soma desses episódios indica que o ambiente político no Rio de Janeiro tende a se intensificar nos próximos meses, com a proximidade das eleições estaduais e a provável disputa direta entre lideranças que hoje ocupam posições estratégicas no estado.





