Centrão negocia com Paes e Douglas Ruas e indefinição marca corrida pelo Guanabara

Foto: Carlos Magno / SECOMRJ

A disputa pelo governo do Estado do Rio de Janeiro começa a ganhar contornos mais nítidos nos bastidores, com partidos do Centrão mantendo conversas simultâneas tanto com o prefeito da capital, Eduardo Paes (PSD), quanto com o deputado estadual licenciado e secretário de Cidades, Douglas Ruas (PL). Os dois despontam hoje como os principais nomes no tabuleiro eleitoral para a sucessão no Palácio Guanabara em outubro.

Apontado como favorito dentro do PL para disputar o cargo e abrir palanque no estado para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Douglas Ruas adota cautela. O secretário só aceita entrar na disputa se tiver garantias políticas sólidas, sobretudo a formação de uma aliança com partidos de grande capilaridade no estado.

Depois do próprio PL, PP e União Brasil — que caminham para formar uma federação — são considerados estratégicos por Ruas, ao lado do Republicanos. A avaliação é que, com esse núcleo consolidado, a candidatura ganharia musculatura suficiente para atrair siglas menores, como Solidariedade e PSDB, ampliando o arco de alianças.

Paes mira Progressistas

Do outro lado, Eduardo Paes intensificou as articulações com o Progressistas, hoje o segundo partido com mais prefeituras no estado, atrás apenas do PL. O prefeito tem mantido conversas diretas com três figuras centrais da legenda: o deputado federal Doutor Luizinho, presidente estadual do partido; o prefeito de Campos dos Goytacazes, Wladimir Garotinho; e o ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa, cotado para compor a chapa como vice.

Além das articulações partidárias, Paes vem ampliando sua presença no interior, com agendas recentes em municípios administrados por aliados do governador Cláudio Castro (PL), especialmente no Norte Fluminense, em uma tentativa clara de avançar sobre redutos fora da capital.

O que Ruas tem a perder

No caso de Douglas Ruas, a exigência por garantias se explica pelos riscos envolvidos. O plano original do secretário é disputar a reeleição para a Assembleia Legislativa (Alerj) e, na sequência, tentar a presidência da Casa. Uma derrota na corrida ao governo significaria ficar sem mandato e fora do comando do Legislativo.

A situação se agrava pelo fato de Ruas não poder disputar a prefeitura de São Gonçalo em 2028. Seu pai, Capitão Nelson (PL), é o atual prefeito do município, e a legislação eleitoral impede sucessão direta. Com isso, o político de 37 anos correria o risco de passar quatro anos sem cargo eletivo.

Apesar das ressalvas, aliados reconhecem que Ruas reúne atributos competitivos: a força eleitoral de São Gonçalo e da Região Metropolitana Leste Fluminense, o peso do bolsonarismo no estado e o alcance político da Secretaria de Cidades, responsável por repasses e projetos junto às prefeituras. Pesquisas internas indicam bom desempenho do nome quando associado a Jair e Flávio Bolsonaro e ao governador Cláudio Castro.

Eleição indireta entra no cálculo

Os cálculos eleitorais também passam pela possibilidade de uma eleição indireta para o governo do estado nos próximos meses, caso Cláudio Castro deixe o cargo para disputar o Senado. Sem vice-governador, o presidente do Tribunal de Justiça assumiria interinamente e convocaria a Alerj para eleger, de forma indireta, o governador-tampão.

Nos bastidores da direita, há quem defenda que o ideal seria eleger já nesse processo o nome que disputará outubro, garantindo a vantagem da máquina pública. Para Ruas, porém, essa alternativa só faria sentido com a certeza de maioria na Alerj.

A possível entrada do ex-presidente da Assembleia André Ceciliano (PT) nesse jogo preocupa aliados do PL. Apesar de petista, Ceciliano é visto como um político pragmático, com trânsito consolidado entre deputados de diferentes partidos, fruto de quase cinco anos no comando do Legislativo estadual.

Divisão no PL

Antes mesmo de enfrentar adversários externos, o PL precisa resolver rachas internos. A movimentação de Flávio Bolsonaro para viabilizar um palanque forte no Rio desorganizou um acordo que previa a eleição indireta do secretário de Casa Civil Nicola Miccione como governador-tampão, sem que ele disputasse a eleição direta.

O arranjo teria sido costurado com Eduardo Paes, mas perdeu força nas últimas semanas. Na segunda-feira, o prefeito reafirmou apoio à reeleição do presidente Lula, mas atacou Ceciliano, associando-o a episódios recentes envolvendo a Alerj. O petista reagiu e classificou a declaração como “fala nervosinha”, elevando o tom da pré-campanha.

Com alianças ainda indefinidas, disputas internas e o fator imprevisível da eleição indireta, a sucessão no Rio segue aberta — e cada movimento nos bastidores pode redefinir o jogo.

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