Por Maria Clara Vital, acadêmica de Medicina, e Dr. Marcio Vital, médico cardiologista
Em meio à rotina cada vez mais acelerada, é comum que a atividade física seja deixada para depois. Entre o trabalho, os estudos, os compromissos familiares e religiosos e algumas horas diante das telas, chega o fim do dia e a sensação é de que não sobrou tempo para mais nada. O sofá ou a cama, então, parecem convidativos.
O problema é que podemos estar cansados sem, necessariamente, termos movimentado o corpo o suficiente. Nosso organismo, entretanto, não foi feito para passar tantas horas parado.
Quando caminhamos, o coração aumenta o bombeamento de sangue, a respiração se intensifica, os músculos passam a consumir mais energia e o cérebro coordena cada movimento para que o corpo mantenha equilíbrio e direção. Uma simples caminhada, portanto, é muito mais do que colocar um pé diante do outro: é uma conversa entre diferentes sistemas do organismo.
Por isso, a prática regular de atividade física está relacionada à prevenção e ao controle de diversas condições, como hipertensão, diabetes tipo 2, obesidade e doenças cardiovasculares. Além de fortalecer músculos e ossos e contribuir para a manutenção da autonomia ao longo do envelhecimento, movimentar-se também pode favorecer o sono, o humor e o bem-estar.
Desse modo, exercitar-se não deve ser visto apenas como uma maneira de modificar o corpo diante do espelho, mas como uma forma de cuidar da saúde.
Exercício físico é sinônimo de academia?
Talvez uma das maiores barreiras seja imaginar que, para praticar exercícios, precisamos de uma academia, equipamentos caros ou uma rotina perfeitamente organizada. A realidade, entretanto, é mais simples.
Para quem está há muito tempo sem se exercitar, uma caminhada pode ser um excelente começo. Pense naquele trajeto curto que você costuma fazer de carro, naquele elevador que poderia, em algumas situações, ser substituído pela escada ou talvez naquela praça perto de casa onde você poderia fazer uma corrida. Pequenas oportunidades de movimento estão espalhadas pelo dia, nós apenas deixamos de percebê-las.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), recomenda-se que adultos realizem entre 150 e 300 minutos de atividade física aeróbica de intensidade moderada ou entre 75 e 150 minutos de atividade vigorosa, além de exercícios de fortalecimento muscular em pelo menos dois dias da semana.
Mas isso não significa que quem está parado precise começar cumprindo essa meta imediatamente. O tempo e a intensidade podem ser aumentados gradualmente, respeitando as condições e os limites de cada pessoa.
Cuidar da saúde não precisa custar caro
No Rio de Janeiro, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece, por meio do Programa Academia Carioca, atividades físicas orientadas gratuitamente em Clínicas da Família e Centros Municipais de Saúde. De acordo com a unidade, podem ser oferecidas atividades como caminhada, dança, alongamento e ginástica.
Quem deseja começar pode procurar a unidade de saúde de referência de sua região e perguntar sobre as opções disponíveis.
Mas existe também uma alternativa que não exige inscrição, mensalidade ou equipamento: caminhar. Pode ser pelo quarteirão, na praça, no parque ou até mesmo em parte do caminho para o trabalho. Não é preciso gastar um centavo para começar a colocar o corpo em movimento.
É com hábitos simples que percebemos que a saúde não é construída apenas quando estamos doentes. Ela é construída, principalmente, naquilo que fazemos todos os dias.
Talvez você não tenha uma hora livre para ir à academia. Talvez não possa pagar uma mensalidade. Talvez simplesmente não goste de academia. Tudo bem! Comece com o que está ao seu alcance:
- Uma caminhada depois do trabalho.
- Uma volta na praça.
- Alguns minutos de dança em casa.
- As escadas em vez do elevador.
- O quarteirão de casa.
Pequenas escolhas, quando repetidas, tornam-se hábitos. E hábitos, com o tempo, tornam-se parte da nossa saúde.
O importante é não esperar o corpo reclamar para começar a ouvi-lo.






