Assessor do PSOL é preso em operação contra exploração sexual de adolescentes em Niterói

Um assessor parlamentar ligado à deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) foi preso na manhã desta quarta-feira (28), em Icaraí, Niterói, durante uma operação da Polícia Civil que investiga uma rede criminosa suspeita de violência sexual, chantagem e exploração de adolescentes. Outro assessor parlamentar, Matheus Rodrigues Gonçalves, que trabalhava no gabinete do vereador Professor Túlio (PSOL-Niterói), já estava preso desde o fim de junho.

O assessor ligado à deputada federal tem 45 anos e foi encontrado em casa. Segundo o delegado Antônio Silvino, ele é suspeito de solicitar frequentemente vídeos de abusos sexuais a Matheus Rodrigues Gonçalves. De acordo com o investigador, os dois seriam amigos e pertenceriam ao mesmo partido político.

A operação, denominada NXIVM, é conduzida pela 74ª DP (Alcântara), em São Gonçalo, com apoio de outras unidades da Polícia Civil e da Corregedoria-Geral da Polícia Militar. A ação prevê o cumprimento de dez mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em endereços de Niterói, São Gonçalo e Maricá.

Até o balanço divulgado durante a manhã, sete pessoas haviam sido presas nesta quarta-feira. Outro investigado já estava preso desde o fim de junho.

Investigação começou após denúncia de adolescente

Segundo a Polícia Civil, as investigações começaram em julho, após a prisão de Matheus Rodrigues Gonçalves, então assessor parlamentar no gabinete do vereador Professor Túlio. Ele foi detido sob suspeita de estupro de vulnerável e exonerado do cargo. Na ocasião, o vereador declarou solidariedade à família da vítima.

A apuração avançou depois que os policiais analisaram celulares, computadores e imagens de câmeras de segurança. O material ajudou a identificar outros possíveis envolvidos no esquema.

De acordo com os investigadores, o grupo produzia vídeos de violência sexual contra adolescentes, incluindo registros de estupros coletivos e tortura. As imagens seriam utilizadas para ameaçar e chantagear as vítimas, que também teriam sofrido agressões físicas e psicológicas.

A adolescente de 16 anos que deu origem à investigação procurou a delegacia acompanhada dos pais para denunciar as violências. A Polícia Civil apura a participação de cada suspeito e trabalha para identificar outras possíveis vítimas.

Policial militar também está entre os presos

Entre os alvos da operação está um policial militar suspeito de ter estado na residência onde ocorreram os abusos e mantido relações sexuais com a adolescente. A investigação também apura se o episódio foi filmado.

A Polícia Militar informou que a prisão do agente foi cumprida pela Corregedoria-Geral da corporação, por meio da 4ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (4ª DPJM). Em nota, a instituição afirmou que não tolera desvios de conduta ou crimes cometidos por seus integrantes e que adota as medidas administrativas e disciplinares cabíveis.

O espaço está aberto para manifestação da deputada federal Talíria Petrone e do PSOL sobre o caso.

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