O mapa político do Rio de Janeiro ainda pode sofrer reviravoltas na composição das bancadas da Assembleia Legislativa (Alerj) e da Câmara dos Deputados. Nomes tradicionais da política fluminense que tiveram a candidatura barrada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) conseguiram expressivas marcas nas urnas, mas aguardam o julgamento de recursos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para saber se poderão assumir as cadeiras.
Como os processos ainda tramitam na Justiça Eleitoral, os sufrágios obtidos por esses políticos foram catalogados como anulados sub judice, ficando de fora da contagem inicial que definiu os vencedores do pleito. Na disputa estadual, cinco postulantes superaram a marca de 27.447 votos registrada por Carlos Russo (DC), deputado estadual eleito com a menor marca entre os 70 nomes que integram a lista atual.
Entre eles destacam-se João Drumond (PRD), com 55.759 votos; Diego Alba (PSDB), que obteve 48.547; Renato Machado (PT), contabilizando 48.300; Val Ceasa (PRD), dono de 47.080; e Paulo Melo (União), que somou 33.546. Apesar do volume de adeptos, nenhum deles figura na relação oficial de eleitos divulgada até o momento.
As situações de João Drumond e Val Ceasa geram forte expectativa nos bastidores devido ao impacto que uma eventual reviravolta causaria na Federação Renovação Solidária, união formada pelo PRD e pelo Solidariedade. Na totalização atual, a coligação garantiu vagas para Munir Neto (Solidariedade), com 52.808 votos; Soldado Tobias (PRD), com 37.969; e Arthur Monteiro (Solidariedade), com 35.844. João superou todos eles, enquanto Val ficou à frente de dois nomes da lista.
Apesar da vantagem numérica, a convalidação das urnas não ocorre de forma automática. Caso haja reversão das sentenças, a Justiça Eleitoral precisará realizar uma nova totalização de todo o pleito proporcional, reavaliando quocientes partidários e sobras.
O TRE-RJ negou por unanimidade o registro de Val Ceasa em 1º de setembro. A Corte entendeu haver elementos suficientes para ligar o parlamentar, que buscava a reeleição, ao Terceiro Comando Puro (TCP), facção criminosa atuante no Complexo de Israel, na Zona Norte da capital. O colegiado pontuou que a análise teve caráter estritamente eleitoral, sem configurar condenação criminal.
Já João Drumond, herdeiro da Imperatriz Leopoldinense e neto do bicheiro Luizinho Drumond, teve a candidatura rejeitada em 11 de setembro. A maioria dos desembargadores acolheu os apontamentos da Procuradoria Regional Eleitoral sobre a utilização da estrutura política em conexões com o crime organizado. A defesa do candidato alegou que ele foi responsabilizado por atos de terceiros e apontou falhas na decisão do tribunal.
O tribunal também barrou os registros de Diego Alba e Renato Machado em 8 de setembro, citando indícios de ligações com organizações criminosas. Paulo Melo enfrentou o mesmo desfecho com base no artigo 17 da Constituição, dispositivo mobilizado pela Justiça Eleitoral para coibir o uso de grupos paramilitares nas eleições.
Na corrida por uma vaga na Câmara dos Deputados, o episódio mais emblemático envolve Ricardo Abrão (PSDB). O parlamentar conquistou 63.730 votos, marca superior aos 46.780 obtidos por Talita Galhardo (PSDB), assegurada pela média na bancada fluminense. Abrão também superou candidatos de siglas rivais, embora as regras do sistema proporcional impeçam definir o vencedor apenas pela contagem nominal direta.
O registro de Ricardo Abrão foi invalidado por unanimidade em 29 de setembro, após o TRE-RJ apontar documentos que indicariam laços com organizações criminosas de perfil paramilitar. A defesa ainda pode recorrer da determinação ao TSE.
A legislação brasileira autoriza que candidatos com registros contestados mantenham a campanha ativa e sigam com seus nomes na urna eletrônica enquanto houver instâncias de recurso disponíveis. O TSE determina que tais votações sejam publicizadas, mas excluídas do cômputo de válidas na largada. Se o cenário for modificado nas instâncias superiores, o recálculo poderá alterar tanto a lista de titulares e suplentes quanto o tamanho das bancadas partidárias.






