A coligação “Rio Real”, que apoia o candidato ao governo estadual Douglas Ruas (PL), protocolou uma representação eleitoral junto ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ). A medida exige uma investigação imediata sobre uma alteração digital incomum detectada na página oficial do político na rede social Instagram.
O documento foi apresentado pelo advogado Tiago Santos Silva. O objetivo central da investida jurídica é descobrir os responsáveis por uma ofensiva digital baseada em perfis falsos coordenados. A legislação que rege o pleito proíbe o emprego de recursos tecnológicos artificiais para manipular a repercussão de propagandas políticas. Para a assessoria jurídica, a manobra teve a intenção de prejudicar a imagem de Ruas na disputa.
A suspeita central recai sobre o uso de robôs, sistemas automatizados e a aquisição de seguidores falsos. A legenda constatou o surgimento repentino de centenas de usuários com nomenclaturas estrangeiras e comportamentos padronizados interagindo com a página do candidato liberal.
Para embasar a denúncia, a petição anexou um laudo técnico elaborado pela ferramenta HypeAuditor. O material apontou a aparição de aproximadamente 19 mil novos seguidores, o equivalente a 9,2% do total, catalogados como perfis duvidosos. Além disso, o estudo sinalizou um salto incomum em uma postagem recente, que atingiu uma taxa de interação artificial de 130,08%.
Com o intuito de preservar os rastros digitais, a defesa exigiu que a Justiça Eleitoral ordene à Meta Platforms Brasil Ltda., controladora do Instagram, a retenção e o repasse de informações técnicas das contas apontadas referentes à última semana. O propósito é rastrear a origem da investida, a estrutura utilizada e os financiadores da fraude.
O candidato adversário Eduardo Paes (PSD) e sua respectiva coligação, “Juntos para Mudar, Coragem para Reconstruir”, foram citados como partes na demanda. Embora o texto reforce a ausência de provas definitivas ou acusações formais contra a chapa de Paes, a inclusão processual se justifica porque qualquer dano à imagem de Ruas geraria vantagens políticas para o grupo concorrente.
Por fim, os advogados solicitaram que a Meta cruze dados para averiguar eventuais ligações técnicas entre os perfis suspeitos e os gestores ou campanhas publicitárias associadas a Paes. Se um vínculo for comprovado futuramente, a defesa quer que os elementos sejam anexados a outra ação judicial eleitoral já em andamento contra o candidato.






