Prefeitura desocupa Palacete Imperial no Centro do Rio

Prefeitura faz operação para desocupar Palacete Imperial, prédio histórico no Centro do Rio interditado há 18 anos

Uma ação conjunta das secretarias municipais de Assistência Social e de Habitação da Prefeitura do Rio resultou na desocupação do Palacete Imperial nesta quarta-feira (09). O casarão histórico fica localizado em frente ao Campo de Santana, no Centro da capital fluminense, e servia de abrigo para pessoas em situação de rua.

Interdição e risco estrutural

O edifício está interditado pela Defesa Civil desde 2008 devido ao perigo de desabamento, acumulando pelo menos dez vistorias técnicas ao longo dos últimos anos. Estimativas recentes apontavam a presença de cerca de 40 pessoas instaladas no local. Até a conclusão da ação, os órgãos municipais não divulgaram o balanço oficial de pessoas localizadas nem os encaminhamentos habitacionais disponibilizados aos ocupantes.

Transição de gestão entre Iphan e universidade

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) esteve presente durante o processo para acompanhar a garantia dos direitos dos indivíduos retirados. A entidade informou a rescisão formal do Termo de Cessão de Uso, ato que devolveu a posse integral do imóvel à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A cessão do palacete ao instituto vigorava desde 2012 com o propósito de instalar uma unidade do Centro Nacional de Arqueologia (CNA), plano que não se concretizou — o polo segue em operação em Brasília. Originalmente incorporado ao patrimônio da UFRJ em 1978, após pertencer à União, o prédio foi erguido em 1862 no cruzamento da Praça da República com a Rua Visconde do Rio Branco, tendo sediado anteriormente o Instituto de Eletrotécnica e a Escola de Comunicação da universidade.

Plano de restauração e novo polo cultural

Com a retomada da administração, a UFRJ articula a recuperação da estrutura por meio de um projeto aprovado via Lei Rouanet. A proposta visa implantar no endereço o Observatório de História, Memória e Arte do Rio de Janeiro, polo que integrará atividades de ensino, pesquisa, laboratórios multidisciplinares e preservação cultural.

Com orçamento estimado em R$ 17 milhões, a iniciativa segue atualmente na etapa inicial de captação de recursos para viabilizar as intervenções de restauro e conservação da edificação histórica.

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