Douglas Ruas (PL) vem ganhando espaço na disputa pelo Governo do Rio de Janeiro. Pesquisas divulgadas nesta semana mostram o candidato na segunda colocação e mais próximo de Eduardo Paes (PSD), que permanece na liderança.
A equipe de Ruas atribui parte desse avanço ao apoio de eleitores evangélicos, principalmente na Baixada Fluminense e no interior do estado. As duas regiões são consideradas estratégicas para os próximos passos da campanha.
No levantamento Real Time Big Data, Ruas passou de 16% em julho para 21% das intenções de voto em setembro. O crescimento de cinco pontos percentuais foi comemorado internamente pela campanha.
Paes aparece com 35%, mantendo uma vantagem de 14 pontos. Em julho, o candidato do PSD tinha 37% e, portanto, oscilou dois pontos para baixo, dentro da margem de erro.
A AtlasIntel também colocou Ruas em um patamar mais elevado. O candidato do PL registra 27,6% no cenário com Anthony Garotinho (Republicanos) e chega a 32,6% quando o ex-governador não aparece entre as opções.
Paes tem 43,6% e 43,9%, respectivamente. No cenário em que Ruas alcança seu melhor resultado, a diferença entre os dois cai para 11,3 pontos percentuais.
As pesquisas possuem metodologias diferentes e, por isso, seus percentuais não devem ser comparados diretamente. Os resultados, no entanto, mostram Ruas isolado na segunda colocação e consolidado como o principal adversário de Paes.
Campanha aposta no eleitor evangélico
Nos bastidores, a avaliação é de que Ruas começou a ser mais conhecido fora de sua base eleitoral. O crescimento entre os evangélicos da Baixada e do interior é apontado pela campanha como uma das explicações para os novos números.
A equipe pretende ampliar a presença do candidato em igrejas, encontros com lideranças religiosas e agendas realizadas nessas regiões. O objetivo é fortalecer o diálogo com um segmento que possui peso importante nas eleições fluminenses.
A campanha também aposta na trajetória de Ruas em São Gonçalo e na atuação como deputado estadual para aumentar sua presença em municípios da Região Metropolitana.
Apesar da avaliação dos estrategistas, os dados gerais divulgados pelos institutos não permitem afirmar, isoladamente, que o crescimento ocorreu apenas entre evangélicos. Essa é uma interpretação feita pela própria equipe do candidato a partir das informações internas da campanha.
Baixo conhecimento é visto como oportunidade
Outro ponto que anima os aliados de Ruas é o número de eleitores que ainda não conhece bem o candidato.
Na pesquisa espontânea do Real Time Big Data, quando os entrevistados não recebem uma lista de nomes, Ruas aparece com 10%. Ao mesmo tempo, 47% não citam espontaneamente nenhum candidato.
A campanha entende que existe um grande grupo de eleitores ainda aberto a conhecer novas opções. A expectativa é transformar parte desse público em votos com a ampliação da propaganda eleitoral e das agendas de rua.
Ruas deverá reforçar temas como segurança pública, saúde, transporte e apoio às famílias. A comunicação também deverá explorar com mais intensidade valores ligados à fé, à família e ao eleitorado conservador.
Flávio Bolsonaro vai reforçar campanha
A aproximação com o bolsonarismo é outro ponto central da estratégia. A previsão é de que Flávio Bolsonaro participe de quatro agendas no Estado do Rio até o primeiro turno.
A presença do senador deverá ser usada para aumentar o conhecimento sobre Ruas e aproximá-lo dos eleitores alinhados à direita. A Baixada Fluminense e o interior estarão entre as prioridades.
O grupo acredita que o apoio de Flávio poderá ajudar Ruas a crescer justamente entre os evangélicos e conservadores que ainda não associam diretamente seu nome ao projeto político do PL.
Crescimento muda estratégia da disputa
A evolução de Ruas também começou a influenciar os movimentos de Eduardo Paes. A campanha do PSD aumentou o tom das críticas contra o adversário na propaganda eleitoral.
As peças passaram a abordar o patrimônio, a trajetória política e as relações de Ruas com grupos que já tiveram espaço no cenário político fluminense.
Embora Paes continue na liderança, seus aliados acompanham o crescimento do candidato do PL. Por ser um nome amplamente conhecido no estado, o ex-prefeito teria menos espaço para avançar apenas com maior exposição.
Ruas, por sua vez, aposta justamente no caminho contrário: tornar-se mais conhecido durante a campanha para ampliar seus percentuais e diminuir a distância até o primeiro turno.
Paes ainda lidera no segundo turno
O Real Time Big Data mostra Paes com 41% e Ruas com 30% em uma possível disputa de segundo turno. A diferença é de 11 pontos percentuais.
Na AtlasIntel, Paes aparece com 51,9%, contra 38,2% de Ruas. A vantagem do candidato do PSD chega a 13,7 pontos.
O Real Time Big Data entrevistou 2 mil eleitores entre 28 de agosto e 1º de setembro. A AtlasIntel ouviu 1.784 pessoas entre 26 e 31 de agosto. Os dois levantamentos possuem margem de erro de dois pontos percentuais.
Os números ainda mostram Paes na frente, mas indicam que Douglas Ruas ganhou força e entrou em uma nova fase da disputa. Para a campanha do PL, o desafio agora é ampliar o conhecimento sobre o candidato e manter o crescimento, com atenção especial aos eleitores evangélicos da Baixada e do interior.






