MP mira filho de Luizinho Drumond por pagamento de R$ 5 milhões à Loterj para abrir empresa de apostas

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) realizou uma operação contra suspeitos de financiar a criação de uma empresa de apostas esportivas com recursos provenientes do jogo do bicho. A investigação envolve a Rio Jogos, credenciada pela Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj).

Entre os alvos estão Vinicius Pereira Drumond, filho do falecido contraventor Luizinho Drumond, e Flávio da Silva Santos, presidente da Mocidade Independente de Padre Miguel. Flávio cumpre prisão domiciliar e é apontado pelo MPRJ como integrante do grupo ligado ao contraventor Rogério de Andrade.

De acordo com a denúncia, R$ 5 milhões teriam sido repassados à Loterj para garantir a autorização necessária à operação da plataforma. O pagamento foi realizado em 6 de maio de 2024.

Os promotores sustentam que a quantia teria origem no jogo do bicho. Até o momento, porém, a investigação conseguiu detalhar a movimentação de R$ 500 mil do total pago à autarquia estadual.

Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, os agentes recolheram dinheiro, aparelhos celulares, computadores e documentos em endereços relacionados aos investigados.

Além de Vinicius e Flávio, foram denunciados Alexandre Vinicius da Costa Guedes, Jorge Roberto de Oliveira Figueiredo, João Eric Lourenço da Silva, Ana Paula Batista Vitorino, João Victor de Araujo Souza e Lucas Pastore Laporte de Souza.

Segundo o MPRJ, os oito acusados participaram da ocultação e dissimulação de, pelo menos, R$ 5,2 milhões. A Promotoria pediu a prisão preventiva de Vinicius e Flávio em 13 de julho, mas a solicitação ainda aguarda decisão judicial.

As investigações indicam que a Rio Jogos teria surgido de uma parceria entre Vinicius e Flávio para explorar o setor de apostas online. Os nomes dos dois já haviam aparecido na Operação Calígula, deflagrada em 2022 contra uma organização de jogos de azar supostamente ligada a Rogério de Andrade e a Ronnie Lessa, condenado pelos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

Conversas encontradas em documentos apreendidos naquela ocasião, conforme o Ministério Público, mostrariam o interesse dos investigados em conseguir o credenciamento da plataforma junto à Loterj.

A operação da Rio Jogos ficou sob responsabilidade da Lema Administração e Participações, empresa que também atua no mercado de apostas do Paraná e realizou o pagamento da outorga. A companhia recebeu autorização para administrar três marcas no estado do Rio.

O MPRJ afirma ainda que duas empresas, a JRF Eagle Participações e a Invectry Participações, teriam sido abertas em nome de um suposto laranja para receber recursos da contravenção.

Em nota, a Loterj declarou que não tinha conhecimento da possível utilização de dinheiro ilícito no pagamento da outorga. A autarquia acrescentou que a verificação da origem dos recursos cabe a órgãos federais, como a Receita Federal e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

A defesa de Flávio Santos informou que aguarda acesso integral à denúncia para se manifestar sobre as acusações.

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