O deputado estadual Val Ceasa (PRD) voltou a mencionar perseguição nas redes sociais após o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) negar o registro de sua candidatura à reeleição.
Sem citar diretamente a decisão judicial, o parlamentar compartilhou nesta quarta-feira (2) uma mensagem de conteúdo religioso. A publicação afirma que “Deus honra em público quem foi fiel em silêncio diante da perseguição”.

Em outra postagem, Val Ceasa disse acreditar que Deus fará a obra ser cumprida no momento certo. O deputado também afirmou que continuará concentrado no trabalho pela população e encerrou a manifestação com a frase “Deus no comando sempre”.
As mensagens foram publicadas um dia depois de o TRE-RJ decidir, por unanimidade, impedir a participação do parlamentar na disputa por um novo mandato na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).
Apesar da proximidade entre os acontecimentos, Val Ceasa não declarou expressamente que as publicações eram uma resposta à decisão da Justiça Eleitoral.
TRE-RJ apontou conjunto de indícios
O registro foi contestado pelo Ministério Público Eleitoral. A ação sustenta que existem elementos indicando uma suposta relação do deputado com integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP), facção que atua no Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio.
A relatora do processo, desembargadora Tathiana de Carvalho Costa, considerou que os documentos apresentados formavam um conjunto consistente de indícios e não apenas suspeitas isoladas.
Entre os fatos analisados estão a atuação de Val Ceasa junto ao 16º Batalhão da Polícia Militar para questionar uma operação contra construções irregulares em Parada de Lucas.
Segundo as investigações, os imóveis estariam ligados ao TCP e seriam utilizados como estruturas de proteção contra operações policiais.
O processo também menciona projetos sociais realizados em locais investigados, a nomeação de pessoas suspeitas de ligação com integrantes da facção e a votação expressiva obtida pelo deputado em áreas sob influência territorial do grupo.
A decisão trata exclusivamente das condições para a participação de Val Ceasa nas eleições. O julgamento do registro não representa uma condenação criminal.
O parlamentar nega qualquer envolvimento com organizações criminosas e informou que pretende recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O indeferimento foi confirmado por outros veículos que acompanharam o julgamento no TRE-RJ.
PRD também poderá ser investigado
Além de negar o registro, o TRE-RJ determinou o envio de informações ao Ministério Público Eleitoral para avaliar uma possível responsabilidade do PRD na indicação do candidato.
O Ministério Público deverá verificar quais informações estavam disponíveis para a direção partidária quando o nome de Val Ceasa foi apresentado à Justiça Eleitoral.
A medida não significa uma responsabilização automática do partido. A eventual abertura de uma nova ação dependerá da análise do material encaminhado pelo tribunal.
Deputado já havia alegado perseguição
Não foi a primeira vez que Val Ceasa afirmou ser vítima de perseguição. Em junho, o parlamentar foi alvo de uma operação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e da Polícia Civil.
A ação investigava suspeitas de possíveis vínculos entre agentes públicos e integrantes do Terceiro Comando Puro.
Depois da operação, Val Ceasa utilizou a tribuna da Alerj para se defender. Ele negou as acusações, classificou a ação em sua residência como constrangedora e afirmou que estava sendo perseguido politicamente.
Agora, após a decisão unânime do TRE-RJ, o deputado retomou o tema de forma indireta, por meio de mensagens religiosas compartilhadas com seus seguidores.






