Flávio Dino autoriza novo inquérito da PF contra Lulinha no STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, autorizou nesta terça-feira (4) a abertura de um novo inquérito para investigar Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. A apuração foi solicitada pela Polícia Federal (PF) e amplia o número de investigações em andamento contra o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Corte.

De acordo com a Polícia Federal, o novo procedimento busca esclarecer a suposta atuação de um grupo que teria utilizado relações com integrantes da administração federal para favorecer interesses privados em negociações com órgãos públicos. Os detalhes da investigação permanecem sob sigilo.

Com a decisão de Flávio Dino, Lulinha passa a responder a três inquéritos instaurados no Supremo em um intervalo inferior a uma semana. As apurações foram abertas a partir de pedidos apresentados pela Polícia Federal durante o avanço de investigações sobre possíveis irregularidades envolvendo empresários e lobistas.

Defesa afirma que vai colaborar com as investigações

Em nota, a defesa de Fábio Luís Lula da Silva informou que recebeu a decisão com tranquilidade e afirmou confiar na condução do processo pelo Supremo Tribunal Federal. Os advogados sustentam que o novo inquérito servirá para esclarecer definitivamente as atividades profissionais e pessoais de Lulinha e reafirmam que ele não praticou qualquer ato ilícito.

Os representantes do filho do presidente também criticaram o que classificam como vazamentos seletivos de informações da investigação. Segundo a defesa, a divulgação antecipada de elementos sigilosos prejudica o andamento das apurações e alimenta interesses políticos. Apesar das críticas, os advogados destacaram confiar na atuação da direção-geral da Polícia Federal para garantir a independência das investigações.

Outras investigações foram abertas na semana passada

Os outros dois inquéritos em tramitação foram autorizados pelo ministro André Mendonça. O primeiro apura suspeitas de tráfico de influência e corrupção em negociações relacionadas ao Ministério da Saúde. Segundo a Polícia Federal, Lulinha teria atuado em benefício de interesses atribuídos ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

Já a segunda investigação busca esclarecer se o filho do presidente favoreceu empresários interessados em contratos com a Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev) e outros órgãos federais. Nesse caso, a Polícia Federal apura possíveis crimes de tráfico de influência, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

As investigações tiveram origem em informações obtidas durante a Operação Sem Desconto, que apura fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo a Polícia Federal, embora os novos inquéritos tenham surgido a partir desse material, eles tratam de fatos distintos e investigam a eventual atuação de Lulinha em favor de empresários e lobistas junto ao governo federal.

Planalto acompanha desdobramentos

Nos bastidores do Palácio do Planalto, interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmam que a posição do chefe do Executivo permanece a mesma: eventuais responsabilidades devem ser apuradas independentemente de quem seja o investigado.

Segundo auxiliares, até o momento não há elementos que indiquem que Lulinha tenha utilizado a estrutura do governo para beneficiar terceiros. A avaliação no entorno do presidente é de que o tema deverá ser explorado durante a campanha eleitoral, mas que a defesa do governo continuará baseada na necessidade de que todas as investigações sigam seu curso regular.

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