Quem vai pegar a casa limpa? Gestão interina de Ricardo Couto faz mudanças profundas no governo do Rio enquanto STF adia definição sobre sucessão

Foto: Carlos Magno / SECOMRJ

Em pouco mais de dois meses no comando do Governo do Estado do Rio de Janeiro, o governador em exercício Ricardo Couto promoveu uma verdadeira reformulação na máquina estadual. Foram 20 trocas no primeiro escalão e mais de 2,7 mil exonerações de cargos comissionados desde que assumiu o Palácio Guanabara interinamente.

Presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, o desembargador assumiu o governo após o afastamento de Cláudio Castro, enquanto o Supremo Tribunal Federal ainda decide se o estado terá ou não uma eleição indireta para escolher um governador-tampão.

O julgamento no STF segue parado após pedido de vista do ministro Flávio Dino. Nos bastidores políticos do Rio, cresce a avaliação de que, caso a indefinição continue, Ricardo Couto poderá permanecer no cargo até o fim do ano.

A situação também alimenta críticas entre parlamentares e especialistas em direito público, que apontam possível desrespeito à linha sucessória da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Isso porque, mesmo com a eleição do presidente da Casa Legislativa, o comando do estado segue nas mãos do chefe do Judiciário.

Trocas atingem áreas estratégicas do governo

As mudanças feitas por Ricardo Couto atingiram setores considerados centrais da administração estadual. Secretarias importantes, como Casa Civil, Governo e Planejamento, passaram a ser ocupadas por servidores de carreira e nomes técnicos.

Nesta segunda-feira (25), o governador interino promoveu mais duas alterações no primeiro escalão. A secretária de Polícia Penal, Maria Rosa Lo Duca Nebel, deixou o cargo após semanas de desgaste político e questionamentos envolvendo uma licitação bilionária da pasta.

O processo, avaliado em R$ 1,3 bilhão, foi suspenso pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro após suspeitas de falhas de transparência e possível restrição à concorrência no contrato de alimentação para presídios.

Para o lugar dela, foi escolhida Alessandra Rosa Odawara, servidora de carreira com 17 anos de atuação no sistema penitenciário.

Outra mudança ocorreu no Departamento Geral de Ações Socioeducativas. O delegado federal Victor Poubel deixou o comando do órgão, que passou a ser chefiado pelo delegado da Polícia Civil Cristiano do Vale Maia.

Governo reduz influência política e amplia revisão de contratos

Parte das mudanças realizadas na gestão interina também teve como objetivo diminuir a influência de grupos políticos e empresariais dentro do governo estadual.

Segundo investigações da Polícia Federal, a administração anterior teria favorecido interesses ligados à Refit, considerada uma das maiores devedoras tributárias do país.

As trocas promovidas por Ricardo Couto atingiram áreas como Meio Ambiente, Fazenda e Procuradoria-Geral do Estado. O Instituto Estadual do Ambiente, inclusive, criou um grupo de trabalho para revisar licenças ambientais concedidas à refinaria após suspeitas de irregularidades apontadas por técnicos do órgão.

Além disso, mudanças também ocorreram em estruturas como a Cedae e o Rioprevidência, em meio a apurações envolvendo investimentos ligados ao Banco Master.

Nos bastidores, cresce debate sobre legado da gestão interina

As decisões tomadas por Ricardo Couto já movimentam os bastidores políticos do estado. Aliados avaliam que o governador interino tenta deixar uma marca de reorganização administrativa e fortalecimento técnico no governo estadual.

Ao mesmo tempo, cresce a dúvida entre parlamentares e analistas políticos sobre qual será o destino dessas mudanças quando houver definição definitiva sobre o comando do Palácio Guanabara.

A principal pergunta que circula hoje na política fluminense é: quem assumir o governo vai manter a “casa limpa” deixada pela atual gestão interina ou promover uma nova rearrumação política?

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Mais Matérias

Pesquisar...

Acessar o conteúdo