A apuração sobre possíveis irregularidades no programa Segurança Presente segue em curso no estado do Rio de Janeiro e já começa a gerar questionamentos sobre a forma como a iniciativa vem sendo ampliada. A investigação foi determinada pelo governador em exercício Ricardo Couto, e ocorre em meio a mudanças administrativas que transferiram a gestão do programa da Secretaria de Governo para a Polícia Militar.
Documentos preliminares da auditoria indicam que havia um plano para implantar 28 novas bases do Segurança Presente ao longo de 2026. No entanto, os relatórios analisados até agora não deixam claro se os locais escolhidos seguiram critérios técnicos, como índices de criminalidade ou demandas estratégicas das regiões atendidas.
Em vez disso, o levantamento sugere que parte das indicações pode ter relação com pedidos feitos por parlamentares estaduais. Entre os nomes citados está o deputado Anderson Moraes, associado à proposta de instalação de quatro unidades: Belford Roxo, Barra Olímpica, Vila Valqueire e Cabo Frio. Já o presidente da Assembleia Legislativa, Douglas Ruas, aparece ligado à solicitação de uma base em Alcântara, em São Gonçalo.
Outros parlamentares mencionados incluem Thiago Gagliasso, apontado como responsável por pedidos nas regiões da Glória/Catete e Maracanã/Praça Varnhagen; Índia Armelau, com indicação para Realengo; e Filippe Poubel, associado à proposta em Casimiro de Abreu.
O custo estimado para a implantação dessas novas bases chega a R$ 385 milhões. Parte dos recursos, cerca de R$ 20 milhões, seria viabilizada por meio de convênio com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio (Faperj), órgão vinculado à Secretaria de Ciência e Tecnologia — pasta que foi comandada até março por Anderson Moraes.
Diante da repercussão, os deputados citados negam qualquer interferência política no programa e afirmam que as solicitações refletem demandas da população. Douglas Ruas declarou que apenas encaminhou reivindicações antigas de moradores, sem participação em indicações de cargos ou estrutura operacional.
Anderson Moraes reforçou que não atua para influenciar diretamente a segurança pública, destacando que apenas levou ao governo pedidos recebidos em seu gabinete. Já Thiago Gagliasso afirmou que nenhuma de suas solicitações relacionadas ao Segurança Presente foi atendida, classificando como equivocada qualquer associação direta com o programa.
Na mesma linha, Índia Armelau e Filippe Poubel sustentam que os pedidos fazem parte do papel legítimo do parlamentar, baseado em reivindicações populares por mais segurança nas regiões atendidas.
A auditoria ainda não foi concluída, mas o caso acende um alerta sobre a necessidade de critérios técnicos e transparência na expansão de políticas públicas de segurança, especialmente quando envolvem cifras milionárias e impacto direto na população.






