A decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que condenou, nesta quarta-feira (4), o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) José Gomes Graciosa a 13 anos de prisão e à perda do cargo público abriu oficialmente a corrida política pela vaga na Corte de Contas e provocou forte movimentação nos bastidores do poder no estado.
Com a prerrogativa de indicação nas mãos do Palácio Guanabara, o secretário-chefe do Gabinete do governador Cláudio Castro, Rodrigo Abel, aparece há meses como nome alinhado entre o Executivo e setores da Assembleia Legislativa. Pelo Legislativo, o deputado estadual Rodrigo Amorim (União Brasil), líder do governo na Alerj, também é citado como possível indicado. Já o PL, maior partido do estado, passou a articular o nome do prefeito de Itaboraí, Marcelo Delaroli, irmão do atual presidente em exercício da Alerj, Guilherme Delaroli.

Apesar da disputa inicial em torno da vaga deixada por Graciosa, interlocutores do meio político ressaltam que esta é apenas a primeira de três cadeiras que devem ser abertas no Tribunal de Contas nos próximos meses, o que tende a diluir as tensões e ampliar o espaço para negociações.
Ainda assim, a principal indefinição nos bastidores é sobre a ordem das indicações. De um lado, está Rodrigo Abel, cuja escolha já vinha sendo tratada como encaminhada entre o governo e o Parlamento. Do outro, cresce o peso político do grupo ligado à família Delaroli, fortalecido com o comando interino da Alerj.
Vaga no TCE entra no jogo da sucessão no Palácio Guanabara
A movimentação em torno da vaga no TCE ocorre em paralelo a outra negociação sensível: a definição do nome governista que disputará, em eleição indireta na Assembleia Legislativa, o mandato-tampão de governador até dezembro.
Nos corredores da política fluminense, a avaliação é de que a cadeira no Tribunal de Contas passou a integrar o conjunto de ativos políticos em discussão nas conversas entre o Executivo estadual, a base aliada e as principais forças partidárias — um elemento relevante no rearranjo de alianças e na busca por equilíbrio institucional neste momento de transição.


