Com índices de aprovação beirando os 90%, o prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, se prepara para dar um passo mais largo na política. Na semana passada, ele reuniu o secretariado para comunicar o que já era tratado como certo nos bastidores: deixará o comando da prefeitura no dia 5 de abril, prazo limite estabelecido pela legislação eleitoral, para disputar uma das duas vagas ao Senado Federal.
A segurança pública é o principal trunfo político de Canella. À frente do município, ele promoveu a retirada de barricadas instaladas pelo crime organizado e endureceu o discurso contra traficantes e milicianos. A política adotada em Belford Roxo acabou inspirando o programa “Barricada Zero”, posteriormente incorporado pelo governador Cláudio Castro à agenda estadual.
Com a decisão de Flávio Bolsonaro de disputar a Presidência da República, Canella passou a enxergar um cenário mais favorável para entrar na corrida ao Senado, avaliando a possibilidade de uma dobradinha com Cláudio Castro na chapa majoritária.
— Na minha cidade quem manda sou eu. Acabou a historinha de traficante e miliciano dar ordem e instalar barricada. Vou pra cima — repete o prefeito sempre que questionado sobre os motivos da alta aprovação popular.
Outro fator decisivo para a saída antecipada da prefeitura é a confiança absoluta na vice-prefeita, Mariana Malta. Aliados destacam a relação de lealdade e sintonia entre os dois, que vêm dividindo decisões estratégicas e demonstrando alinhamento na condução da administração municipal.
O cenário financeiro da campanha também pesa a favor do projeto. A federação União-PP deve contar com cerca de R$ 100 milhões do fundo eleitoral apenas no Rio de Janeiro, e uma fatia expressiva desse montante tende a ser direcionada à disputa pelo Senado.
Eleito em 2024 com 155.299 votos — o equivalente a 62,88% dos votos válidos no primeiro turno —, Márcio Canella conquistou uma das vitórias mais expressivas da história recente de Belford Roxo. O resultado, confirmado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), consolidou sua liderança local, enfraqueceu adversários tradicionais e se transformou no principal ativo político para a construção de um projeto eleitoral de alcance estadual.






