Uma imagem que mostra uma suposta apoiadora do senador Flávio Bolsonaro (PL) segurando uma bandeira rasgada de Nossa Senhora Aparecida, durante uma manifestação em Belo Horizonte, neste sábado (24), apresenta fortes indícios de ter sido produzida por inteligência artificial. O conteúdo ganhou repercussão nas redes sociais às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais.
A montagem também utiliza indevidamente a identidade visual do portal g1, dando a entender que o veículo teria publicado uma reportagem sobre o episódio. No entanto, segundo a checagem divulgada pelo site Sertão em Destaque, não foi encontrada nenhuma publicação do g1 que confirme a história.
A imagem foi submetida a duas ferramentas de identificação de conteúdo artificial. O Hive Detect apontou 99,9% de probabilidade de geração por inteligência artificial, enquanto o ZeroGPT indicou 99%. Os resultados reforçam as suspeitas de manipulação, embora essas ferramentas, isoladamente, não sejam suficientes para comprovar a origem de uma imagem.
Outro fator que coloca em dúvida a autenticidade do material é a ausência de registros independentes. Não há identificação de fotógrafo, agência responsável ou vídeo que mostre a suposta manifestação contra o símbolo religioso. A fotografia apresenta apenas uma mulher segurando o tecido danificado, sem registrar como a bandeira teria sido rasgada.
A história também foi divulgada pelo site Diário do Centro do Mundo (DCM), que afirmou que uma apoiadora de Flávio Bolsonaro teria sido flagrada durante o episódio. Entretanto, a publicação utilizou apenas o crédito de reprodução, sem apresentar a origem da fotografia ou registros que comprovassem a acusação.
A repercussão aumentou depois que o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) compartilhou a imagem em seu perfil oficial no Instagram. Na publicação, o parlamentar afirmou que o episódio não seria uma notícia falsa e declarou que a mulher teria sido aplaudida durante o ato político.
Em aproximadamente duas horas, a postagem já acumulava mais de 1,3 mil curtidas e centenas de comentários. Apesar da afirmação do deputado, o conteúdo não apresentava fontes verificáveis que confirmassem a ocorrência.
Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, também esteve no centro de outras informações falsas durante a campanha eleitoral. Em setembro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) classificou como notoriamente inverídica uma publicação que associava Flávio Bolsonaro a uma suposta proposta de retirar da santa o título de padroeira do país.
O episódio reforça o alerta sobre a circulação de conteúdos manipulados em períodos eleitorais, especialmente aqueles que envolvem religião e política. A utilização de logotipos de veículos de comunicação conhecidos pode induzir os usuários a acreditar em informações que não foram devidamente verificadas.






