Candidato do PL chegou à eleição com apoio público de uma parcela menor dos prefeitos, enquanto Eduardo Paes percorreu o estado e reuniu alianças com gestores de diferentes partidos
O resultado do primeiro turno da eleição para o Governo do Rio revelou um contraste entre as alianças políticas construídas durante a campanha e o comportamento do eleitor nas urnas. Mesmo com Eduardo Paes (PSD) reunindo o apoio público de dezenas de prefeitos e percorrendo os municípios fluminenses, Douglas Ruas (PL) conseguiu vencer em 79 das 92 cidades do estado.
Paes terminou na frente em apenas 13 municípios.
Meses antes da eleição, a disputa pela força política no interior apontava para um cenário diferente. Em julho, Ruas contava com a possibilidade de utilizar como base os 51 prefeitos eleitos por PL, União Brasil e PP, partidos que apoiavam sua candidatura ao Governo do Estado.
Na prática, entretanto, a adesão pública foi menor. Apenas 13 desses prefeitos demonstraram apoio a Ruas naquele momento.

Do outro lado, Paes avançou sobre diferentes grupos políticos. O candidato do PSD recebeu sinalizações públicas de apoio de pelo menos 33 prefeitos de diferentes legendas e percorreu os 92 municípios fluminenses durante sua articulação pelo estado.
O resultado das urnas, porém, mostrou que a vantagem entre lideranças municipais não se converteu automaticamente em votos.
Ruas amplia presença no interior
A expansão de Douglas Ruas para além de São Gonçalo, seu principal reduto eleitoral, começou antes da campanha.
Eleito deputado estadual em 2022 com quase 176 mil votos, Ruas tinha naquele momento cerca de 85% de sua votação concentrada em São Gonçalo.
A partir de 2023, quando assumiu a Secretaria de Estado das Cidades, o atual candidato passou a circular com maior frequência pelo interior e pela Região Metropolitana, acompanhando obras e mantendo contato com prefeitos e outras lideranças municipais.
Esse movimento ajudou a tornar seu nome conhecido fora de São Gonçalo.
Outro componente apontado para explicar o crescimento na reta final foi a aproximação da campanha estadual com a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
Dados do Datafolha citados pelo Terra mostram que, no fim de agosto, 37% dos eleitores de Flávio declaravam voto em Douglas Ruas. Um mês depois, esse percentual havia alcançado 63%.
A campanha passou a reforçar o chamado “voto casado”, associando os dois candidatos.
Das pesquisas à vitória em 79 municípios
O crescimento também apareceu nas pesquisas eleitorais. No primeiro levantamento Datafolha de agosto, Ruas aparecia com 19%, enquanto Paes registrava 41%.
Ao longo da campanha, a diferença foi diminuindo. Nas urnas, Douglas Ruas terminou o primeiro turno com 49,27% dos votos válidos, contra 42,76% de Eduardo Paes.
Mais do que a vantagem estadual, o mapa eleitoral chamou atenção.

Douglas Ruas venceu em 79 municípios. Paes, apesar das alianças construídas com prefeitos e da estratégia de percorrer todo o estado, conseguiu ser o mais votado em 13 das 92 cidades.
O resultado mostra que o apoio público de lideranças municipais não necessariamente se traduziu em transferência direta de votos para o candidato apoiado.
Por fim, o número 13 favoreceu Ruas e de fato, atrapalhou Paes.






