A proximidade do julgamento que definirá o futuro do mandato interino do governador do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, levou integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) a recomendar que ele reduza a participação em eventos ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A avaliação, segundo interlocutores da Corte, é de que uma exposição frequente ao lado do chefe do Executivo federal pode gerar questionamentos sobre a imparcialidade do processo.
A orientação foi dada a menos de três semanas da retomada do julgamento no STF, marcada para o dia 19 de agosto. Nos bastidores, ministros avaliam que a presença constante de Couto em cerimônias com Lula poderia influenciar a percepção pública sobre o caso, justamente quando a Corte decidirá a forma de escolha do próximo governador do estado.
Após receber o aconselhamento, Ricardo Couto cancelou entrevistas que estavam previstas para as próximas semanas e deve reduzir significativamente sua participação em eventos de caráter político. A estratégia é adotar uma postura mais reservada até a conclusão do julgamento.
Julgamento segue indefinido
O Supremo analisa qual será o modelo para preencher o cargo de governador após a vacância do mandato. Até o momento, o placar parcial registra quatro votos favoráveis à realização de eleição indireta, conduzida pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), e um voto pela realização de eleição direta.
Votaram pela eleição indireta os ministros Luiz Fux, André Mendonça, Nunes Marques e Cármen Lúcia. O relator do processo, Cristiano Zanin, defendeu a realização de eleições diretas. Ainda são aguardados os votos de Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Dias Toffoli e do presidente da Corte, Edson Fachin.
Exposição política gera preocupação
Nos últimos meses, Ricardo Couto participou de diversas agendas públicas ao lado de Lula no Rio de Janeiro. Entre elas, compromissos institucionais, como a assinatura da adesão do estado ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), e eventos considerados de maior conotação política, como a inauguração da nova subida da Serra das Araras.
De acordo com fontes ligadas ao STF, a recomendação para diminuir a exposição busca evitar interpretações de que o governador interino estaria estreitando laços políticos com o presidente justamente às vésperas da decisão da Corte.
Planos para o futuro
Nos bastidores, também circula a avaliação de que Ricardo Couto tem interesse em disputar uma futura vaga no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A proximidade com o presidente da República é vista por interlocutores como um fator que poderia fortalecer uma eventual indicação, já que cabe ao presidente escolher os nomes submetidos à aprovação do Senado.
Embora essa possibilidade faça parte das especulações políticas, o foco imediato do governador interino permanece voltado para o julgamento que definirá os próximos passos da sucessão no Governo do Estado do Rio de Janeiro.






