Douglas Ruas defende penas mais duras para políticos envolvidos em corrupção e propõe mudanças na segurança

O presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Douglas Ruas (PL), defendeu o endurecimento das punições para políticos que utilizem o mandato para cometer crimes, especialmente casos de corrupção e ligação com organizações criminosas. As declarações foram feitas durante entrevista ao podcast Papo de Elite, apresentado pelo ex-capitão do Bope Rodrigo Pimentel.

Pré-candidato ao Governo do Estado, Ruas afirmou que detentores de mandato devem receber penas mais severas do que as aplicadas ao cidadão comum quando cometem crimes, por entender que exercem uma função pública baseada na confiança da população.

“Quem recebe um mandato popular e utiliza esse mandato para cometer crimes deveria ter uma punição muito mais dura do que qualquer outro cidadão”, afirmou.

Prisões de deputados motivaram posicionamento

Durante a entrevista, Douglas Ruas comentou os recentes casos envolvendo parlamentares da Alerj investigados por suspeitas de corrupção. Segundo ele, ao assumir a presidência da Casa adotou medidas imediatas após a prisão do deputado Thiago Rangel (Avante), investigado pela Polícia Federal na Operação Unha e Carne.

De acordo com Ruas, foram tomadas providências como a desmobilização do gabinete do parlamentar, a abertura de processo disciplinar, o encaminhamento do caso ao Conselho de Ética e a convocação do suplente para ocupar a vaga. O presidente da Assembleia também defendeu mudanças na aplicação da imunidade parlamentar prevista na Constituição. Para ele, o plenário da Alerj não deveria deliberar sobre a manutenção ou revogação de prisões de deputados quando os crimes investigados não estiverem relacionados ao exercício do mandato.

Segundo Ruas, essa prerrogativa constitucional existe para proteger a atividade parlamentar contra perseguições políticas, e não para analisar casos de corrupção, lavagem de dinheiro ou envolvimento com facções criminosas.

“Momento de renovação”

Ao comentar o cenário político fluminense, Douglas Ruas afirmou que o Rio de Janeiro atravessa um período de desgaste provocado por sucessivos escândalos envolvendo agentes públicos nas últimas décadas. Sem citar nomes, lembrou que o estado já teve governadores e ex-presidentes da Assembleia presos e disse esperar que as eleições de 2026 representem uma renovação na política do estado. Para o presidente da Alerj, a população terá a oportunidade de escolher novos representantes em um momento considerado decisivo para o futuro do Rio de Janeiro.

Segurança pública no centro da proposta

A segurança pública foi outro tema abordado durante a entrevista. Ruas afirmou que, caso seja eleito governador, pretende alterar os critérios utilizados para avaliar o desempenho das Áreas Integradas de Segurança Pública (AISPs). Uma das propostas é retirar das estatísticas de letalidade violenta as mortes decorrentes de ações policiais consideradas legítimas pela Justiça, quando houver reconhecimento de legítima defesa ou defesa de terceiros.

Segundo ele, o modelo atual acaba penalizando administrativamente regiões onde operações policiais resultam em confrontos considerados legais. Como exemplo, citou a AISP 12, responsável pelas áreas de Niterói e Maricá, que, segundo ele, deixou de cumprir metas após o aumento dos índices de letalidade provocado por uma operação policial.

Combate ao domínio territorial

Douglas Ruas também propôs que o avanço territorial de facções criminosas passe a ser um dos principais indicadores de avaliação da política de segurança pública.

Segundo o presidente da Alerj, os atuais indicadores priorizam a redução de crimes como roubos e furtos, mas não medem o crescimento do controle exercido por organizações criminosas sobre comunidades. Na avaliação do parlamentar, esse domínio interfere diretamente na qualidade de vida da população, restringindo a circulação de moradores e até a escolha de serviços como internet, televisão por assinatura e distribuição de gás.

Para Ruas, o combate à expansão territorial das facções deve ser tratado como uma das principais metas das forças de segurança do estado.

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