Vaga de Brazão no TCE movimenta Alerj e deputados intensificam articulações durante recesso

A perda definitiva do cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) por Domingos Brazão já desencadeou uma intensa movimentação política nos bastidores da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Mesmo durante o recesso parlamentar, deputados iniciaram articulações para a escolha do novo integrante da Corte de Contas, cuja função é vitalícia até a aposentadoria compulsória aos 75 anos e tem remuneração em torno de R$ 40 mil.

O Tribunal de Contas foi oficialmente comunicado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a decisão que determinou a perda do cargo de Brazão, condenado a 76 anos e três meses de prisão pelos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Com o trânsito em julgado da condenação, o salário do ex-conselheiro já foi suspenso, e a expectativa é que o TCE publique, nos próximos dias, o ato de vacância e comunique formalmente a Assembleia Legislativa para dar início ao processo de escolha do substituto.

Embora o procedimento ainda não tenha sido aberto oficialmente, parlamentares já fazem cálculos políticos e buscam consolidar apoios para a disputa. Nos corredores da Alerj, a expectativa é de que o presidente da Casa, Douglas Ruas (PL), convoque uma reunião de líderes assim que o comunicado do TCE for recebido. Dependendo do ritmo das negociações, uma sessão extraordinária poderá ser convocada ainda durante o recesso para deliberar sobre a indicação.

A primeira discussão gira em torno do perfil do futuro conselheiro. Parte dos deputados defende que a vaga permaneça com um integrante da própria Assembleia, enquanto outro grupo considera nomes externos, o que promete acirrar as negociações entre as maiores bancadas.

Entre os nomes ventilados nos bastidores está o do prefeito de Itaboraí, Marcelo Delaroli (PL), cuja possível indicação seria articulada pelo vice-presidente da Alerj, Guilherme Delaroli (PL). A hipótese, entretanto, enfrenta resistência de deputados que defendem a valorização de um parlamentar da Casa.

Nesse cenário, o deputado Chico Machado (PL) surge como uma das alternativas entre os defensores de uma escolha interna. Outro nome citado é o de Rosenverg Reis (MDB), que, segundo informações de bastidores, contaria com o apoio do ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD).

Já o deputado Rodrigo Amorim (PL), que vinha trabalhando para viabilizar sua candidatura ao cargo, viu sua situação se complicar após ser condenado em segunda instância por violência política de gênero contra a vereadora Benny Briolly (PSOL). Embora a decisão ainda permita recursos, o episódio passou a ser considerado um fator que pode dificultar sua candidatura. O ex-secretário de Governo Rodrigo Abel também perdeu força nas articulações após a saída de Cláudio Castro do comando do governo estadual.

Outro fator que acelera as negociações é o calendário eleitoral. Deputados avaliam que, quanto mais próximo das eleições de 2026, mais difícil será construir um consenso em torno de um nome. Há ainda preocupação entre parlamentares com possíveis novos desdobramentos de investigações em curso, o que reforça a intenção de concluir o processo rapidamente.

Para agilizar a escolha, a Alerj poderá utilizar, pela primeira vez, o rito expresso aprovado neste ano. Pelas novas regras, o edital deverá ser publicado em até três dias úteis após a abertura do processo, enquanto o relator terá até três sessões para analisar as candidaturas e apresentar pareceres. Na sequência, os nomes considerados aptos serão encaminhados ao plenário para votação.

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