Altineu atribui avanço do Comando Vermelho no interior à política das UPPs e critica Eduardo Paes

A segurança pública entrou de vez na pré-campanha ao Governo do Estado do Rio de Janeiro. Durante um evento político realizado em Itaperuna, no Noroeste Fluminense, o presidente estadual do PL e deputado federal Altineu Côrtes responsabilizou a política de implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) pela expansão do Comando Vermelho para municípios do interior e fez críticas ao prefeito do Rio de Janeiro e pré-candidato ao Palácio Guanabara, Eduardo Paes (PSD).

Em seu discurso, Altineu afirmou que a ocupação de comunidades cariocas durante os governos de Sérgio Cabral, com apoio da gestão municipal da época, provocou o deslocamento de criminosos para outras regiões do estado.

“O Comando Vermelho saiu das comunidades ocupadas pelas UPPs e foi para cidades do interior como Itaperuna, Campos, Cabo Frio e Macaé. Hoje essas cidades enfrentam um problema que antes era muito mais concentrado na capital”, declarou o parlamentar durante o encontro.

A fala repercutiu nos bastidores políticos e nas redes sociais, ampliando o tom dos ataques entre os grupos que se articulam para a disputa eleitoral de 2026.

Além da questão da segurança, Altineu também criticou a presença cada vez mais frequente de Eduardo Paes em cidades do interior fluminense. Nos últimos meses, o prefeito tem participado de eventos, visitado propriedades rurais e intensificado agendas fora da capital, movimento visto por aliados como parte da construção de sua candidatura ao governo estadual.

Para o dirigente do PL, a estratégia tem o objetivo de ampliar a aceitação do prefeito em regiões onde ele historicamente encontra mais resistência política.

O debate ocorre em um momento em que o avanço das facções criminosas para municípios do interior está entre as principais preocupações das autoridades de segurança pública. O tema deve ocupar posição de destaque na campanha eleitoral do próximo ano.

A cidade de Itaperuna, onde o discurso foi realizado, aparece entre os municípios fluminenses com maiores índices de violência letal. Dados do Atlas da Violência 2026 apontam uma taxa de 49,4 homicídios por 100 mil habitantes, mais que o dobro da média nacional.

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