Uma obra destinada à instalação de um eletroposto e de um showroom da fabricante chinesa de veículos elétricos GWM no Aterro do Flamengo se transformou em alvo de uma disputa envolvendo órgãos de preservação, moradores, parlamentares e a Prefeitura do Rio de Janeiro.
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) determinou o embargo da intervenção realizada no canteiro central da Avenida das Nações Unidas, próximo à Praia de Botafogo. Segundo o órgão federal, qualquer modificação em áreas localizadas no entorno de bens tombados depende de autorização prévia, o que não teria ocorrido neste caso.
A decisão foi tomada após questionamentos sobre a regularidade do empreendimento, que prevê a instalação de um eletroposto com seis vagas de recarga para veículos elétricos e um espaço para exposição e comercialização de automóveis da montadora chinesa.
A controvérsia mobilizou moradores da Zona Sul. A Associação de Moradores e Amigos de Botafogo (Amab) levou o caso ao Ministério Público Federal, alegando preocupação com a utilização de uma área pública de relevância paisagística por uma empresa privada. O grupo também manifestou receio em relação aos possíveis impactos ambientais e à preservação da vegetação existente no local.
A discussão ganhou novo capítulo com a entrada da vereadora Alana Passos, que protocolou representação junto ao MPF pedindo a apuração da legalidade do licenciamento concedido pelo município. A parlamentar argumenta que a autorização municipal não poderia ter sido emitida sem a anuência prévia do Iphan, uma vez que a área integra uma região de interesse histórico e paisagístico da cidade.
Em nota enviada ao Fala Rio, o Iphan esclareceu que o terreno onde a obra está sendo executada não é tombado em nível federal, mas está inserido na área de entorno de um bem protegido. Nesses casos, explica o órgão, a legislação exige autorização prévia para qualquer construção que possa interferir na ambiência ou na visibilidade do patrimônio preservado.
O instituto informou ainda que aguarda o envio do projeto pelo empreendedor para que a proposta seja submetida à análise técnica da superintendência regional do órgão.
Já a Prefeitura do Rio sustenta que o empreendimento foi autorizado após licitação pública realizada em 2024 e destaca que a estrutura será construída exatamente onde funcionava um antigo posto de combustíveis, sem ocupar uma nova área do parque. Segundo o município, o projeto prevê uma edificação menor do que a existente anteriormente no local e não contempla a remoção de árvores ou vegetação.
A administração municipal também afirma que a implantação do eletroposto deverá atender às exigências urbanísticas, ambientais e patrimoniais previstas na legislação, incluindo as determinações dos órgãos responsáveis pela proteção do patrimônio cultural e paisagístico.
Enquanto os órgãos públicos analisam a documentação e os questionamentos apresentados, o futuro do empreendimento permanece indefinido. O caso coloca em debate o equilíbrio entre a modernização da infraestrutura para veículos elétricos e a preservação de uma das áreas urbanas mais emblemáticas da cidade do Rio de Janeiro.






