Moradores denunciam obra de concessionária de veículos em área verde no Aterro do Flamengo

Uma obra destinada à instalação de um showroom e espaço de exposição de veículos da montadora chinesa GWM Brasil tem provocado forte reação de moradores da Zona Sul do Rio de Janeiro. O empreendimento está sendo construído no terreno do antigo posto de combustíveis da BR, próximo à Praça Nicarágua, entre o Parque do Flamengo e a Enseada de Botafogo, uma das áreas mais emblemáticas da cidade.

Segundo denúncias feitas por moradores, os trabalhos foram intensificados nos últimos dias e avançam rapidamente. A principal preocupação é que a área cercada por tapumes teria sido ampliada, ocupando parte de um canteiro ajardinado público e atingindo árvores de grande porte existentes no local.

De acordo com a placa da obra, o empreendimento foi licenciado como uma área de “exposição”. No entanto, moradores afirmam que a estrutura, com cerca de 750 metros quadrados, funcionaria na prática como um showroom permanente para exposição e comercialização de veículos da GWM, levantando questionamentos sobre a natureza da autorização concedida pela Prefeitura do Rio.

Os moradores também questionam a utilização de uma área pública para fins comerciais. Eles argumentam que, caso houvesse interesse na cessão do espaço para exploração privada, seria necessária a realização de um processo público e transparente, com concorrência aberta a outras empresas interessadas.

Outro ponto levantado é a localização estratégica da obra. Embora o terreno esteja fora do limite formal do tombamento federal do Parque do Flamengo, moradores alegam que a área integra a zona de tutela do conjunto paisagístico protegido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o que exigiria análise criteriosa de qualquer intervenção urbanística.

Foto: reprodução / Instagram

As críticas também se estendem à proteção da paisagem da Enseada de Botafogo. Segundo moradores e especialistas que acompanham o caso, a própria Prefeitura do Rio possui normas de preservação voltadas à manutenção da visibilidade do espelho d’água da enseada, considerada um dos cartões-postais da cidade.

Além disso, a Enseada de Botafogo integra a paisagem cultural carioca reconhecida pela Unesco como Patrimônio Mundial da Humanidade, condição que reforça a preocupação sobre possíveis impactos visuais e ambientais decorrentes da obra.

Moradores afirmam ainda que a instalação do empreendimento poderá criar um precedente para futuras ocupações comerciais em áreas públicas destinadas ao lazer e à preservação ambiental.

Diante das denúncias, a comunidade cobra esclarecimentos da Prefeitura do Rio, do IPHAN, do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) e dos órgãos ambientais sobre os critérios adotados para o licenciamento da obra e sobre eventuais autorizações para supressão de árvores no local.

Também há pedidos para que o Ministério Público acompanhe o caso e avalie a legalidade da intervenção, diante das alegações de possíveis impactos ambientais, urbanísticos e patrimoniais.

Até o momento, não houve manifestação pública dos órgãos citados nem dos responsáveis pelo empreendimento sobre os questionamentos levantados pelos moradores.

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