O ex-prefeito do Rio de Janeiro e pré-candidato ao Governo do Estado, Eduardo Paes (PSD), voltou a adotar um discurso mais duro na área da segurança pública ao defender a neutralização de criminosos armados que desafiem o Estado utilizando armamento pesado.
A declaração foi dada durante entrevista à BBC Brasil ao comentar operações policiais realizadas no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio. Ao abordar o tema, Paes afirmou que criminosos fortemente armados precisam ser combatidos com rigor pelo poder público.
“Delinquente que usa roupa de guerra e arma pesada contra o Estado vai ter que ser neutralizado”, declarou.
Durante a entrevista, o ex-prefeito também direcionou críticas ao governo Cláudio Castro, responsabilizando a atual gestão pelo avanço da criminalidade em comunidades dominadas por facções criminosas.
Segundo Paes, operações de grande impacto realizadas recentemente no Complexo do Alemão não produziram resultados permanentes e acabaram servindo mais como resposta momentânea do que como política efetiva de segurança pública.
“Aquilo que a gente já previa, se confirmou no dia seguinte. Já estavam todos lá de volta, foram substituídos”, afirmou ao comentar a retomada do controle territorial por traficantes após as ações policiais.
O pré-candidato ainda classificou as operações como iniciativas sem continuidade prática e com forte componente político-eleitoral.
“Não era uma operação dentro de uma política pública de segurança. Era um gesto eleitoral”, disse.
Apesar do discurso firme, as declarações de Eduardo Paes também geraram questionamentos sobre como seria colocada em prática a política defendida por ele caso assuma o comando do estado. O ex-prefeito afirmou que pretende adotar uma estratégia permanente de retomada de territórios dominados pelo crime organizado, mas não detalhou como essas ações seriam executadas nem quais mecanismos seriam utilizados para evitar novos ciclos de violência nas comunidades.
Ao longo da entrevista, Paes reconheceu o impacto das mortes registradas em confrontos envolvendo policiais e criminosos, mas reforçou que o Estado possui o monopólio legal do uso da força, incluindo ações letais em situações extremas.
“Se alguém ousar desafiar o Estado, colocar em risco a vida de um agente público ou de um cidadão, e para isso tem que ser neutralizado, sei lá, neutralizado”, afirmou.
As declarações acontecem em meio ao aumento do debate sobre segurança pública no Rio de Janeiro, tema que deve ocupar espaço central na disputa pelo Governo do Estado em 2026.






