A situação da vereadora Benny Briolly voltou ao centro do debate político em Niterói após a parlamentar apresentar três atestados médicos para justificar 33 faltas registradas pela Câmara Municipal entre fevereiro e outubro do ano passado. Os documentos, que somam 75 dias de afastamento, foram anexados à defesa apresentada à Mesa Diretora diante do pedido de cassação protocolado pelo vereador Allan Lyra (PL).
Dois dos atestados determinam afastamento de 30 dias cada, enquanto o terceiro prevê 15 dias de repouso médico. As ausências haviam sido registradas pelo sistema interno da Câmara como não justificadas.
Quando o caso veio à tona, em dezembro do ano passado, Benny afirmou que parte das faltas ocorreu devido ao cumprimento de agendas externas como representante oficial do Legislativo municipal. Na época, a vereadora ainda integrava o PSOL.
O pedido de perda de mandato apresentado por Allan Lyra tem como base a Lei Orgânica de Niterói, que prevê cassação para parlamentares que faltarem a um terço das sessões ordinárias sem comprovação de doença.
Segundo documento anexado ao processo pela própria Câmara, o Legislativo realizou 99 sessões ordinárias em 2025. Ainda conforme o relatório, as 33 ausências atribuídas à vereadora não haviam sido justificadas oficialmente naquele período.
Allan Lyra questiona o fato de os atestados terem sido apresentados meses após as faltas e também aponta a ausência do código CID nos documentos médicos. O vereador argumenta ainda que, durante parte do período coberto pelos atestados, Benny participou de manifestações políticas e eventos públicos divulgados nas redes sociais.
Outro ponto que passou a gerar debate nos bastidores da Câmara envolve a possibilidade de convocação de suplente. Pelas regras do Legislativo municipal, afastamentos superiores a 30 dias exigem substituição temporária do parlamentar.
A reportagem procurou o PSOL de Niterói para esclarecer se houve comunicação formal sobre eventual necessidade de licença prolongada ou convocação de suplente, mas não houve retorno até a publicação desta matéria.
Nos bastidores da Câmara Municipal, o episódio aumentou o desgaste político em torno do mandato da vereadora e provocou discussões entre integrantes da Mesa Diretora, parlamentares da base e da oposição. Uma reunião para analisar oficialmente o caso está marcada para a próxima segunda-feira (25).
Apesar da pressão política, interlocutores ouvidos pela reportagem avaliam que uma eventual cassação é considerada improvável no ambiente interno da Câmara, e que o caso pode acabar sendo discutido na esfera judicial.
Na defesa apresentada ao Legislativo, Benny Briolly sustenta que todas as ausências possuem respaldo legal. Em nota, a parlamentar afirmou que faltas em sessões são comuns entre vereadores e criticou o que considera tratamento diferente em relação ao seu caso.
A vereadora também declarou que continuou participando de algumas agendas públicas durante o período de recuperação por compromisso político e militante.
Os documentos médicos anexados à defesa apontam diferentes procedimentos cirúrgicos realizados ao longo do período analisado. O primeiro atestado, emitido em junho, determinou 15 dias de afastamento após cirurgia para tratamento de cicatriz. O segundo documento informou a realização de cirurgia mamária e crural. Já o terceiro prevê novo período de recuperação para tratamento de ferida na área operada.
O cirurgião plástico Luiz Lima, responsável pelos procedimentos, afirmou que a vereadora necessitou de repouso, medicação e acompanhamento ambulatorial durante a recuperação, mas negou qualquer complicação grave.
Primeira mulher trans eleita vereadora em Niterói, Benny Briolly tem atuação voltada para pautas de direitos humanos, combate à violência e representatividade LGBTQIA+. Ao mesmo tempo, o mandato tem sido marcado por frequentes embates políticos dentro do Legislativo municipal.






