Uma operação da Polícia Federal realizada nesta terça-feira (28) revelou a dimensão de um esquema de propinas que atuava no Porto do Rio. Batizada de Operação Mare Liberum, a ação resultou na apreensão de milhões de reais em dinheiro vivo e cerca de R$ 40 mil em vinhos de luxo.
O dinheiro em espécie foi encontrado na residência de uma auditora fiscal da Receita Federal, localizada na Barra da Tijuca. Já 54 garrafas de vinho, avaliadas em aproximadamente R$ 700 cada, foram apreendidas na casa de um despachante investigado.
Ao todo, a operação mobilizou agentes da Polícia Federal, da Receita Federal e do Ministério Público Federal, que cumpriram 45 mandados de busca e apreensão em endereços no Rio de Janeiro, além de municípios como Niterói, Nilópolis, Nova Friburgo e também em Vitória, no Espírito Santo.
As investigações apontam que o grupo criminoso era formado por servidores públicos, importadores e despachantes, que atuavam para liberar mercadorias sem a devida fiscalização no Porto do Rio. O esquema incluía fraudes em declarações para evitar o pagamento de impostos, causando um prejuízo estimado em R$ 500 milhões aos cofres públicos.
Por determinação da Justiça, cerca de R$ 102 milhões em bens dos investigados foram bloqueados. Além disso, 25 servidores da Receita Federal foram afastados de suas funções — sendo 17 auditores fiscais e 8 analistas tributários. Nove despachantes também foram proibidos de atuar no Porto do Rio.
A Operação Mare Liberum segue em andamento, e os investigados poderão responder por crimes como corrupção, organização criminosa e sonegação fiscal.






