O policial militar reformado Fabrício Queiroz, conhecido por ter sido apontado como operador do esquema de “rachadinha” na Assembleia Legislativa do Rio, voltou a ocupar função pública. Oito anos depois das primeiras denúncias, ele atua como subsecretário de Segurança e Ordem Pública de Saquarema, na Região dos Lagos.
A nomeação ocorreu no ano passado, após articulações políticas envolvendo o ex-prefeito Antonio Peres, aliado do PL na cidade. Nos bastidores, a indicação também teria contado com o aval do senador Flávio Bolsonaro, após uma tentativa sem sucesso de acomodar Queiroz em Campos dos Goytacazes, durante a gestão do ex-prefeito Wladimir Garotinho.
Rede política e influência
Além da função na prefeitura, Queiroz ampliou sua presença política ao viabilizar a entrada do filho, Felipe Queiroz, na estrutura estadual. Ele passou a atuar como assessor na Secretaria de Ciência e Tecnologia, comandada pelo deputado Anderson Moraes.
A ligação de Queiroz com Saquarema não é recente. Desde a campanha de 2018, ele frequentava o município ao lado de Flávio Bolsonaro, participando da articulação de candidaturas e fortalecendo vínculos políticos locais.
Atuação na segurança
No cargo atual, Queiroz exerce influência direta na área de segurança municipal. Ele supervisiona a Guarda Municipal e participa de agendas institucionais. Em eventos públicos recentes, esteve ao lado de nomes como o deputado Douglas Ruas e o ex-governador Cláudio Castro.
Entre as propostas defendidas por ele está o armamento da Guarda Municipal — medida que ainda não foi implementada. A secretaria também colocou em prática uma ronda ostensiva municipal com características semelhantes às da Polícia Militar.
Histórico do caso
Queiroz foi denunciado pelo Ministério Público do Rio como peça central de um esquema de recolhimento ilegal de salários de assessores no gabinete de Flávio Bolsonaro, quando o senador era deputado estadual. O processo acabou sendo arquivado na esfera criminal após decisões judiciais que invalidaram provas, em meio a disputas sobre a instância responsável pelo julgamento.
Durante as investigações, versões divergentes foram apresentadas. Flávio Bolsonaro afirmou que o ex-assessor tinha autonomia na gestão dos funcionários. Já Queiroz declarou à Justiça que os repasses ocorreram sem o conhecimento do então parlamentar — versão contestada pelo Ministério Público com base em mensagens e registros bancários.
Apesar do histórico, os dois voltaram a aparecer juntos politicamente. Na campanha de 2024, Flávio esteve em Saquarema, pediu votos para Queiroz e o apresentou como aliado.
Posicionamentos
Procurado, Queiroz afirmou que evita dar entrevistas por orientação da prefeitura, especialmente por se tratar de ano eleitoral. Já a Prefeitura de Saquarema informou, em nota, que a nomeação seguiu critérios técnicos, destacando a experiência de três décadas do ex-policial militar.
A Secretaria estadual de Ciência e Tecnologia não se manifestou sobre a atuação de Felipe Queiroz na pasta.






