O prefeito de Maricá, Washington Quaquá, anunciou uma iniciativa que pretende unir políticas públicas, produção acadêmica e valorização histórica no município. O projeto inclui o convite ao jurista e filósofo Silvio Almeida para atuar em duas frentes: a coordenação de um museu dedicado à escravidão e à contribuição africana e a participação na formulação de um projeto educacional de alcance nacional.
Segundo Quaquá, a presença do intelectual reforça o peso simbólico da proposta. A ideia é que Almeida lidere o futuro Museu da Escravidão Negra no Atlântico e da contribuição africana ao Brasil e ao mundo, além de colaborar na construção da UniMar, universidade que está em fase de desenvolvimento na cidade.
A iniciativa vai além da criação de equipamentos culturais e acadêmicos. A gestão municipal pretende transformar Maricá em um centro de formulação de ideias com impacto no cenário nacional, integrando produção intelectual, políticas públicas e reflexão sobre o desenvolvimento do país.
O projeto surge em meio a discussões sobre a necessidade de planejamento de longo prazo para o Brasil. Nesse contexto, a proposta busca resgatar experiências históricas de centros voltados ao pensamento estratégico.
Uma das principais referências é o Instituto Superior de Estudos Brasileiros, criado em 1955 e reconhecido como um dos principais polos de reflexão sobre o desenvolvimento nacional até sua extinção após o Golpe militar de 1964.
A proposta em Maricá prevê a criação de um espaço com características semelhantes, adaptado aos desafios contemporâneos, reunindo estudos sobre economia, soberania e desigualdades sociais.
Um dos diferenciais do projeto está na centralidade da questão racial. Silvio Almeida, conhecido por suas pesquisas sobre racismo estrutural e democracia, deve contribuir para integrar esse debate às estratégias de desenvolvimento.
A proposta amplia o escopo tradicional ao tratar o enfrentamento das desigualdades raciais como elemento fundamental na formulação de políticas públicas e no planejamento econômico.
Outro pilar da iniciativa é a criação do museu voltado à escravidão no Atlântico e à contribuição africana. O espaço pretende abordar tanto a violência do período escravocrata quanto o legado cultural, social e econômico das populações africanas e afrodescendentes.
A proposta dialoga com experiências internacionais de museus de memória, mas com foco na valorização histórica e na construção de uma narrativa mais inclusiva sobre a formação do Brasil.
A UniMar será a base institucional da iniciativa. A universidade deve atuar na formação de profissionais e pesquisadores com foco em políticas públicas e pensamento estratégico, conectando teoria e prática.
A articulação entre universidade, centro de estudos e equipamentos culturais busca criar um ambiente voltado à produção de conhecimento aplicado aos desafios nacionais.
Com essa estratégia, a Prefeitura de Maricá aposta em um projeto de longo prazo para fortalecer o papel da cidade no debate público e na formulação de políticas com impacto além do município.






