Derrota na disputa pelos Jogos Pan-Americanos pode ameaçar investimentos e embaralhar cenário político no Rio

A derrota do Rio de Janeiro e de Niterói para Assunção, no Paraguai, na disputa para sediar os Jogos Pan-Americanos e Parapan-Americanos de 2031, repercutiu além do campo esportivo. O resultado, anunciado nesta sexta-feira (10) pela Panam Sports, acende um alerta político e econômico no estado, especialmente diante da expectativa de obras e investimentos que estavam condicionados à realização do evento — e que agora podem não sair do papel.

O projeto apresentado por Rio e Niterói previa um amplo pacote de intervenções em mobilidade urbana e infraestrutura ambiental. Entre os compromissos assumidos, estavam a conclusão da linha 3 do metrô ligando as duas cidades, a implantação de VLTs e a conclusão do saneamento da Baía de Guanabara até 2031 — obras que, além do legado esportivo, serviriam de vitrine política para governos municipais, estadual e federal.

Sem os Jogos, essas propostas correm o risco de ficar apenas no papel, o que deve reacender o debate sobre prioridades orçamentárias e compromissos assumidos em discursos de campanha.

A situação ganha ainda mais relevância porque 2026 será um ano de eleições gerais. Políticos que apostavam na visibilidade do Pan para reforçar suas plataformas — especialmente aqueles ligados a pautas de desenvolvimento urbano e sustentabilidade — podem enfrentar agora um cenário de incerteza e cobrança.

O evento também era visto como oportunidade de reaquecer a economia e o turismo, além de revitalizar áreas degradadas do Rio metropolitano. Estimativas preliminares apontavam que a candidatura mobilizaria bilhões de reais em investimentos públicos e privados, com geração de empregos diretos e indiretos.

Com a escolha de Assunção, a capital paraguaia passará a receber esses aportes, enquanto o Rio e Niterói terão de revisar planos e justificar o destino de estudos e recursos aplicados na candidatura.

Nos bastidores, interlocutores políticos avaliam que a perda do Pan pode servir de combustível para críticas à falta de articulação entre governos e à dificuldade de transformar o legado olímpico de 2016 em atrativo internacional duradouro.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Mais Matérias

Pesquisar...

Acessar o conteúdo