“Campos opostos”: Wladimir Garotinho rejeita apoio a Rodrigo Bacellar e racha político se escancara na planície

Campos dos Goytacazes vive nova turbulência política com o rompimento declarado entre duas das famílias mais influentes da cidade: os Garotinho e os Bacellar. O episódio, marcado por declarações contundentes, evidencia a disputa de bastidores que promete influenciar o cenário político do estado do Rio de Janeiro nas próximas eleições.

Durante a inauguração de uma obra pública nesta segunda-feira (19), o prefeito de Campos dos Goytacazes, Wladimir Garotinho (PP), surpreendeu ao anunciar, publicamente e sem meias palavras, que não apoiará a candidatura do presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União), ao governo estadual.

“Ele quer que eu vá lá e declare apoio a ele. Rodrigo, eu não vou te apoiar. Não adianta você me pedir, e nem você me pressionar, porque eu não vou te apoiar. Pronto, se alguém tinha dúvida, já está dito”, afirmou o prefeito, em tom firme, ao microfone, diante da plateia e da imprensa local.

Rivalidade de longa data entre famílias tradicionais

A tensão entre os Garotinho e os Bacellar não é novidade para os moradores de Campos. As duas famílias protagonizam uma rivalidade que atravessa gerações. Apesar de Wladimir e Rodrigo terem convivido de forma amistosa na juventude, os embates políticos acabaram por reavivar a disputa entre seus clãs.

Na eleição municipal passada, o rompimento ficou evidente: Bacellar apoiou a candidatura da Delegada Madeleine (União), adversária direta de Wladimir, que buscava a reeleição e saiu vitorioso. O episódio marcou uma virada no relacionamento entre os dois, até então capaz de conviver com diferenças pontuais.

Tentativas de reaproximação frustradas

Após o pleito, os dois líderes até ensaiaram uma reaproximação. Foram vistos juntos em eventos sociais e chegaram a marcar um jantar para “selar a paz”. No entanto, divergências na agenda impediram o encontro — e, agora, a relação parece ter chegado ao ponto de ruptura definitiva.

Entre as queixas do prefeito está a escassez de repasses estaduais para Campos. Segundo Wladimir, a média de recursos destinados ao município para cofinanciamento da Saúde era de R$ 150 milhões por ano. No entanto, em 2024, os repasses caíram drasticamente para R$ 27 milhões — valor conquistado somente após ação judicial. Em 2025, até o momento, nenhum valor foi repassado, o que tem gerado insatisfação no governo municipal.

Consequências para a disputa estadual

O rompimento público acontece dias após Rodrigo Bacellar anunciar sua pré-candidatura ao governo do estado. Com isso, o presidente da Alerj perde um importante apoio em sua terra natal, justamente de um prefeito com base consolidada e forte influência política.

A fala de Wladimir tem potencial de repercutir em toda a Baixada Campista e região Norte Fluminense, onde a palavra dos Garotinho ainda carrega peso político. Além disso, o episódio reforça a fragmentação da base aliada do governador Cláudio Castro (PL), que deve enfrentar uma eleição marcada por divisões internas e realinhamentos partidários.

Em Campos, o ditado popular se confirma: quando dois bicudos se encontram, dificilmente saem da mesma mesa. E, neste caso, parece que o jantar foi mesmo cancelado — com direito a recado ao vivo e plateia cheia.

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