Abstenção eleitoral no Rio: confira as cidades e colégios com menor comparecimento de eleitores

Cerca de 2.997.846 cidadãos do Rio de Janeiro deixaram de comparecer às seções eleitorais no primeiro turno das eleições de 2026. Esse contingente equivale a 23,32% de todo o eleitorado do estado, consolidando o território fluminense com a segunda maior taxa de ausência do país, superado somente pelo Mato Grosso do Sul (23,87%). O percentual do estado ficou expressivamente acima do índice médio brasileiro, que foi de 21,08%, considerando também os votantes no exterior.

A apuração realizada pelo RJ2, da TV Globo, com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), detalhou o comportamento do público a três dias da votação do segundo turno presidencial. Entre os cidadãos submetidos ao voto obrigatório, a faixa entre 21 e 24 anos apresentou o índice mais elevado de abstenção no estado, atingindo 23,42%. No sentido inverso, os jovens de 18 anos registraram o maior comparecimento proporcional, com taxa de falta de apenas 10,68%.

Nas faixas em que a participação é facultativa, a proporção de faltosos cresce conforme a idade avança. O percentual de ausentes foi de 34,4% entre 70 e 74 anos; 52,7% na faixa de 75 a 79 anos; 74% entre 80 e 89 anos; e alcançou 94,9% entre os eleitores de 90 a 99 anos.

De acordo com a professora de Ciência Política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Mayra Goulart, o perfil demográfico ajuda a explicar esses números. Ela ressalta que o envelhecimento da população, em especial na capital, influencia as estatísticas onde o voto não é compulsório. A pesquisadora pondera ainda que o índice não decorre apenas de desinteresse ou da polarização política, englobando também cadastros desatualizados e dificuldades de locomoção enfrentadas pelos cidadãos até os colégios eleitorais.

No recorte por municípios fluminenses, a cidade de Mangaratiba, na Costa Verde, liderou a taxa estadual de ausências, com 26,71%. Valença figurou na segunda posição, registrando 26,22%, acompanhada de perto pela capital, que anotou 26,12%.

Na cidade do Rio de Janeiro, 1.293.714 votantes não foram às urnas, o que significa que mais de um a cada quatro eleitores aptos não participou do pleito. Embora concentre aproximadamente 38,5% do colégio eleitoral fluminense, o município do Rio respondeu por 43,2% de todas as abstenções computadas no estado.

Entre os locais de votação cariocas com menor taxa de comparecimento, a área central concentrou os maiores índices: cinco dos dez colégios com menor presença ficam no Centro. No Colégio Pedro II, a abstenção chegou a 46%. A lista com as dez maiores taxas conta ainda com três unidades em Copacabana, na Zona Sul, e duas em Inhaúma, na Zona Norte.

O histórico de eleições anteriores aponta que o segundo turno fluminense costuma registrar avanço nas faltas. Em 2002, a taxa na etapa decisiva foi de 16,95%, subindo para 17,35% em 2006, 21,03% em 2010 e 22,36% em 2014. O índice alcançou 24,06% em 2018, caindo para 22,25% em 2022.

Os eleitores que não compareceram no primeiro turno estão autorizados a votar normalmente no segundo turno, desde que o título eleitoral não esteja cancelado ou suspenso. O prazo para justificar a ausência da primeira votação vai até o dia 3 de dezembro.

O presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), desembargador Claudio de Mello Tavares, orientou os cidadãos a conferirem seus locais de votação previamente pelo aplicativo e-Título ou pelo portal oficial do tribunal. Para quem tem a obrigação de votar, a ausência não justificada ou sem quitação de multa por três turnos consecutivos acarreta o cancelamento do documento.

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