Fundo Eleitoral financia 94,4% das campanhas no Rio e soma R$ 225,9 milhões

Dados do TSE revelam forte dependência do dinheiro público, liderança de Douglas Ruas na disputa ao governo e estratégias opostas de partidos na divisão de verbas.

As campanhas eleitorais no Estado do Rio de Janeiro já movimentaram R$ 239,27 milhões em receitas declaradas nas eleições de 2026. Os dados, atualizados nesta segunda-feira (31) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), confirmam a dependência quase total dos candidatos em relação ao dinheiro público: o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) responde por R$ 225,91 milhões, o equivalente a 94,4% de todos os recursos declarados até agora.

Dos 2.035 candidatos registrados para disputar os sete cargos em jogo no estado, menos da metade — apenas 801 — declarou alguma arrecadação positiva. Além da concentração do dinheiro público, o levantamento expõe a centralidade das decisões das cúpulas partidárias na distribuição dessas verbas.

Disputa pelo Palácio Guanabara

Na corrida pelo governo do estado, o candidato do PL e presidente da Alerj, Douglas Ruas, desponta na liderança financeira com R$ 17,83 milhões arrecadados. Quase a totalidade do valor (R$ 17,78 milhões) veio da direção nacional do PL via Fundo Eleitoral, somada a R$ 50 mil em recursos próprios.

Em segundo lugar aparece o candidato do PSD e ex-prefeito da capital, Eduardo Paes, que declarou R$ 10 milhões repassados pela direção nacional de sua legenda. A diferença de arrecadação entre os dois principais concorrentes ao Executivo fluminense é de R$ 7,83 milhões.

Recursos concentrados na corrida ao Senado

Os repasses milionários das cúpulas partidárias também definem o ritmo da disputa pelo Senado Federal:

  • PL: Repassou R$ 4,75 milhões para cada um dos seus candidatos, os deputados federais Carlos Portinho e Carlos Jordy.
  • PSD: Destinou R$ 3,00 milhões para a campanha de Pedro Paulo.
  • PT: Enviou R$ 2,66 milhões para Benedita da Silva, que também arrecadou R$ 40,75 mil em doações de pessoas físicas.

Estratégias opostas para a Câmara dos Deputados

A análise das receitas para o cargo de deputado federal evidencia duas estratégias partidárias distintas no uso do Fundo Eleitoral:

  • Divisão igualitária no PSOL: O partido optou por pulverizar os recursos de forma homogênea entre seus nomes de maior projeção. Glauber Braga, Talíria Petrone, Henrique Vieira, Chico Alencar e Tarcísio Motta receberam fatias muito similares, variando entre R$ 2,12 milhões e R$ 2,16 milhões.
  • Apostas individuais em grandes puxadores: Legendas como PL e Republicanos concentraram grandes somadas em candidaturas específicas. Destacam-se Soraya Santos (PL), com R$ 3 milhões; Luis Carlos Gomes (REP), com R$ 2,5 milhões; Daniela Carneiro (REP), com R$ 2,49 milhões; e Rosângela Gomes (REP), com R$ 2,2 milhões.

Autofinanciamento e doadores individuais

Embora represente uma parcela modesta do total arrecadado no estado, o investimento do próprio bolso registrou 279 operações, somando R$ 2,84 milhões.

O ex-ministro e candidato a deputado federal Leonardo Picciani (PV) lidera o ranking de autofinanciamento, tendo aplicado R$ 310 mil em sua própria campanha.

Entre os doadores privados que não disputam nenhum cargo eletivo nas eleições deste ano, os maiores destaques são:

  1. Arminio Fraga Neto: R$ 240 mil
  2. Alexis Cavichini: R$ 210 mil
  3. Walther Moreira Salles Junior: R$ 200 mil

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