A disputa pelo Governo do Rio de Janeiro ganhou um novo palco nesta sexta-feira (28), com a estreia da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão. Eduardo Paes (PSD) e Douglas Ruas (PL), que aparecem entre os principais nomes da corrida ao Palácio Guanabara, escolheram caminhos diferentes para iniciar a campanha.
Com mais tempo de televisão, Paes direcionou parte do discurso para uma avaliação negativa das administrações estaduais recentes. A estratégia busca aproximar Douglas Ruas dos governos de Wilson Witzel e Cláudio Castro.
Do outro lado, Ruas tenta construir uma imagem de renovação e associa Eduardo Paes a políticos que estiveram no centro da política fluminense nas últimas décadas. Entre os nomes apresentados pela campanha está o ex-governador Sérgio Cabral.
As campanhas, neste primeiro momento, concentraram as mensagens em questões do próprio estado, sem dar protagonismo a temas nacionais.
Paes usa segurança como principal argumento
Eduardo Paes terá o maior espaço entre os candidatos ao governo, com 4 minutos e 50 segundos de propaganda.
A segurança pública aparece como um dos principais temas escolhidos pelo candidato, que também deve explorar problemas econômicos, fiscais e institucionais enfrentados pelo estado.
A campanha procura apresentar Ruas como parte de um grupo político ligado às gestões que comandaram o Rio nos últimos anos. A estratégia também atinge Rodrigo Bacellar, que foi presidente da Alerj e chegou a ser apontado como sucessor político de Cláudio Castro.
Bacellar está preso no contexto de uma investigação que apura suspeitas envolvendo agentes políticos e organizações criminosas.
Nos programas, Paes aparece em um estúdio e apresenta diagnósticos sobre os problemas do estado, acompanhado de propostas para áreas consideradas prioritárias pela campanha.
Douglas Ruas tenta se apresentar como renovação
Com aproximadamente dois minutos e meio de exposição, Douglas Ruas escolheu contar sua trajetória pessoal e política no primeiro programa.
O candidato utiliza o conceito de “Rio real” para falar sobre diferentes regiões do estado e cita moradores da Baixada Fluminense, São Gonçalo, Zona Norte e Zona Oeste, além de municípios do interior.
Segundo a pesquisa Genial/Quaest mencionada na reportagem de O Globo, 59% dos eleitores fluminenses ainda não conheciam Ruas.
Filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson, o candidato destaca a experiência acumulada na política municipal e afirma ter participado de obras em mais de 70 cidades.
Apesar de ter ocupado o cargo de secretário estadual de Cidades durante o governo Cláudio Castro, Ruas não menciona diretamente o ex-governador em sua propaganda de estreia.
Cabral e Bolsonaro aparecem na estratégia de Ruas
Na parte final do programa, a campanha de Ruas tenta estabelecer uma divisão entre dois grupos políticos. A mensagem apresentada é a de que o eleitor estaria diante da escolha entre “dois Rios e duas gerações”.
Para reforçar a narrativa, aparecem imagens de Eduardo Paes ao lado de Luiz Inácio Lula da Silva, Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão.
Em contraponto, Ruas é mostrado ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro.
A propaganda também aborda segurança, transporte público e saúde da mulher. Na área de segurança, o candidato adota um discurso de endurecimento contra a criminalidade.
Garotinho perde acesso ao horário eleitoral
Anthony Garotinho (Republicanos) e William Siri (PSOL) também estavam entre os candidatos que teriam espaço na televisão.
Garotinho teria 1 minuto e 6 segundos, enquanto Siri contaria com 32 segundos.
Entretanto, uma decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), tomada na quinta-feira (27), suspendeu o acesso de Garotinho ao horário eleitoral e aos recursos do fundo eleitoral.
Com a televisão incorporada à disputa, Paes e Ruas passam a travar uma batalha pela atenção dos eleitores. A expectativa é de que os próximos programas aumentem o confronto entre os candidatos e deem maior espaço às propostas para segurança, saúde, transporte, infraestrutura e contas públicas.






