BB nega saque de R$ 422 milhões das Casas Bahia e questiona pedido na Justiça

Uma disputa entre o Banco do Brasil e as Casas Bahia colocou R$ 422 milhões no centro do processo de recuperação judicial da varejista. O banco afirma que o valor apontado pela empresa como retirado de suas contas nunca chegou a ser efetivamente debitado.

A Casas Bahia havia procurado a Justiça para impedir uma movimentação que, segundo sua defesa, poderia comprometer o caixa da companhia durante a recuperação judicial.

Na avaliação da empresa, os recursos deveriam permanecer protegidos pelas regras do processo enquanto são analisadas as dívidas e as obrigações com os credores.

O Banco do Brasil apresentou uma versão diferente. A instituição afirma que os R$ 422 milhões apareceram como uma movimentação programada, mas não chegaram a deixar as contas da varejista.

Valor está ligado a garantias bancárias

O episódio envolve garantias oferecidas pelo BB em operações comerciais das Casas Bahia com fornecedores, entre eles a Apple e a Mapfre Seguros.

Com o início da recuperação judicial, os fornecedores acionaram as garantias. O Banco do Brasil realizou os pagamentos correspondentes e passou a buscar a restituição dos valores.

É nesse ponto que as versões das partes divergem.

A Casas Bahia afirma que o banco teria lançado um débito de R$ 422 milhões em suas contas. A empresa levou à Justiça uma captura de tela na qual o montante aparecia entre os lançamentos futuros.

O Banco do Brasil sustenta que a imagem não comprova uma retirada. Segundo a instituição, os extratos bancários mostram que o débito não foi concluído.

Tentativa de cobrança teria sido estornada

Segundo o BB, uma tentativa de débito ocorreu em 25 de agosto, mas não foi concluída por falta de saldo. O valor teria sido posteriormente estornado.

Com esse argumento, o banco afirma que não houve perda patrimonial correspondente aos R$ 422 milhões.

A instituição financeira também quer que o pedido feito pelas Casas Bahia seja rejeitado pela Justiça.

O BB ainda questiona a conduta processual da varejista. Para o banco, a empresa teria apresentado como efetivada uma operação que, na realidade, não foi concluída.

A instituição afirma que a Casas Bahia já poderia ter verificado os extratos antes de levar a questão ao Judiciário e, por isso, pediu que seja reconhecida a ocorrência de litigância de má-fé.

Recuperação judicial está no centro do conflito

A discussão acontece em um momento delicado para as Casas Bahia, que tenta reorganizar suas finanças por meio da recuperação judicial.

A empresa busca evitar que cobranças e bloqueios comprometam os recursos disponíveis para manter suas atividades.

A controvérsia envolvendo o Banco do Brasil deverá ser analisada pela Justiça de São Paulo, que terá de verificar se houve efetivamente o débito questionado e quais efeitos a operação pode produzir dentro do processo de recuperação judicial.

O desfecho da disputa poderá influenciar a relação entre a varejista e seus credores durante essa fase de reorganização financeira.

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