O ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil), deixou a prisão neste sábado (11) após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida determina a soltura do político mediante o cumprimento de medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica, a entrega do passaporte e a obrigação de permanecer à disposição da Justiça durante o andamento das investigações.
Canella havia sido preso na última quarta-feira (8), durante a sexta fase da Operação Unha e Carne, que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado a organizações criminosas. O ex-prefeito, que também é pré-candidato ao Senado pelo União Brasil com apoio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), é um dos investigados na operação conduzida pela Polícia Federal.
Prisão após apreensão de arma
A prisão ocorreu depois que agentes encontraram um fuzil na mala do veículo utilizado por Canella durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão. Após audiência de custódia, ele foi encaminhado ao Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, o Bangu 8, no Complexo de Gericinó, na Zona Oeste do Rio.
Em nota, a defesa sustentou que a prisão era indevida, alegando que o armamento é legalizado e está registrado em nome do segurança do ex-prefeito. Segundo o advogado Pierpaolo Cruz Bottini, toda a documentação foi apresentada ao STF.
Os advogados afirmaram ainda que Canella continuará colaborando com as investigações e prestará todos os esclarecimentos solicitados pelas autoridades.
Investigação aponta movimentação bilionária
A Operação Unha e Carne investiga um grupo suspeito de utilizar uma rede de postos de combustíveis para lavar dinheiro de organizações criminosas. As apurações tiveram início após um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificou movimentações superiores a R$ 7,6 bilhões ao longo dos últimos seis anos.
Na sexta fase da operação, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em 19 endereços na capital e nos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende.
Durante as diligências, foram apreendidos 11 veículos de luxo, entre eles uma Mercedes-Benz avaliada em cerca de R$ 1,5 milhão. Os agentes também encontraram aproximadamente R$ 800 mil em dinheiro em espécie em uma empresa localizada em Niterói. Um policial militar acabou preso em flagrante por porte ilegal de arma.
Delegado e policiais estão entre os investigados
As investigações também atingem o delegado Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro. Segundo a Polícia Federal, ele teria ligação com empresas investigadas e seria proprietário de duas lojas de conveniência instaladas em postos de combustíveis.
Outro investigado é o policial civil Pablo Jukiá Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo. De acordo com a PF, ele seria o verdadeiro proprietário de uma rede formada por cerca de 80 empresas registradas em nome de terceiros.
Também é alvo da operação o ex-policial militar Juracy Alves Prudêncio, o Jura, apontado como líder de um grupo miliciano que atuava na Baixada Fluminense.
Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e contratação direta ilegal.
A Corregedoria-Geral da Polícia Civil informou que instaurou procedimento para apurar a conduta dos servidores citados na investigação. Até a última atualização do caso, as defesas dos demais investigados não haviam se manifestado ou não foram localizadas.






